quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Preciosa Promessa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Uma proposta surpreendente…

A tia de Don Xavier del Rio deixou metade de sua herança para a governanta, a órfã inglesa Rosie Clifton, mas ele está determinado a recuperar o que é seu por direito. 
Por isso, Xavier vê na surpreendente proposta de casamento de Rosie a oportunidade de conseguir o que deseja... inclusive tê-la em sua cama! 
Rosie fará o que for preciso para cumprir sua promessa de proteger Isla del Rey. Mas será que está disposta a aceitar as exigências de seu charmoso noivo?
Capítulo Um

— Esta praia é particular!
Rosie teve de levantar a voz para ser ouvida pelo grandalhão de aspecto bruto que segurava a âncora do barco. Ele ficou paralisado, e isso lhe deu a certeza de que a ouvira, mas por algum motivo o homem decidiu ignorá-la. Ela agitou os braços, mas nem isso causou qualquer impacto.
— Malditos invasores. — A senhora de idade que era patroa Rosie, Doña Anna, teria dito isso a qualquer marinheiro que ousasse lançar âncora perto de sua ilha particular. — Vocês não podem fazer nada aqui. Esta ilha é minha, é particular! — De pé, em pose beligerante, com as mãos pousadas firmemente na cintura, Doña Anna continuaria tentando espantar seus visitantes, embora Rosie nunca os tenha enxergado como pessoas que poderiam lhe fazer qualquer mal, já que tudo o que queriam era desfrutar das águas cristalinas e da praia de areia dourada por pouco mais de uma hora. Mas Doña Anna não sossegava até que a escutassem e abandonassem suas lindas águas.
Rosie ficou tensa quando o homem olhou para ela. Com pouco mais de cinquenta metros separando os dois, o olhar penetrante do invasor a atingia como uma flecha.
Seu corpo reagiu da maneira mais louca, ficando mais calmo e mais agitado enquanto a força daquela personalidade masculina a invadia. O efeito era tão poderoso que os dois pareciam estar lado a lado.
Em segundos, ela tomou uma posição de combate. Sua mente ficou afiada. E a única coisa que a mantinha minimamente centrada era a mesma calma e pureza de alma pelas quais era conhecida desde os tempos de orfanato. Ela não teve um bom começo de vida, mas não se comportava como vítima... e nunca se comportaria.
E uma promessa é uma promessa, jurou Rosie para si mesma. E sua promessa feita à Doña Anna, de que manteria a ilha a salvo, era sagrada. Por conta disso, por mais que o homem fosse intimidador, até que soubesse o que ele queria, o intruso não conseguiria avançar terra adentro.
No entanto, o tal homem parecia ter outras ideias na cabeça...
O coração de Rosie foi a mil quando percebeu que ele se preparava para mergulhar nas águas. Manter aquela ilha a salvo custaria algo mais que apenas suas boas intenções, pensou. Ele era duas vezes maior do que ela, além de parecer um gladiador de tão robusto.
E ele mergulhou, causando um impacto mínimo na superfície da água. Ao surgir novamente, estava quase na areia da praia. Havia algo rude e duro nele, algo que parecia capaz de roubar a confiança de Rosie, deixando-a apreensiva. As pessoas que trabalham em iates costumam usar uniformes com seus nomes bordados. Ele, porém, não carregava qualquer identificação. Estava nu da cintura para cima e deveria ter uns 30 e poucos anos. Seja lá como fosse, era um pouco mais velho do que ela.
Rosie tinha quase 30 anos. Ela nem se lembrava muito da sua data de nascimento. Aliás, não havia registro formal disso. 

Um incêndio no orfanato destruíra todas as evidências de sua história logo após ter sido acolhida. Sua experiência de vida era limitada ao mundo estranho e isolado daquela instituição, e depois se resumira à vida numa pequena ilha ao sul da Espanha.

O Segredo atrás do Véu

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
“Você pode beijar a noiva.”

Com essas palavras, Mikolas Petrides selaria um importante acordo e finalmente retribuiria tudo o que o seu avô fizera por ele na infância.
Mas, quando ergue o véu de sua noiva, não é a mulher que esperava! Viveka Brice faria qualquer coisa para proteger sua irmã mais nova, até casar-se com um estranho.
Porém, ao ser descoberta, ela foge... mas não poderá se esconder por muito tempo. 
Mikolas sempre consegue o que deseja. 
E por ter destruído seus planos, Viveka terá que recompensá-lo... tornando-se sua amante!

Capítulo Um

O sol da tarde brilhava diretamente através das janelas, cegando Viveka Brice enquanto caminhava pelo corredor que levava ao altar da cerimônia de casamento. 
Ela estava ali para impedir que o evento acontecesse — não que alguém soubesse disso naquele momento.
O interior do iate clube, situado em uma ilha remota e exclusiva do mar Egeu, era todo feito de mármore e metal, criando uma profusão de superfícies que refletiam a luz branca. 
Com a luz e as muitas camadas de seu véu, ela mal conseguia enxergar e vinha, relutantemente, apoiando-se no braço de seu ultrajante padrasto.
Ele provavelmente não conseguia enxergar muito mais do que Viveka. De outro modo, teria gritado com ela por arruinar seu plano. Ele certamente não tinha notado que ela não era Trina.
Viveka estava conseguindo esconder o fato de que sua irmã tinha deixado o clube. Isso fazia seu coração apertar-se de nervosismo e tremer de excitação.
Ela semicerrou os olhos, tentando focalizar o olhar além dos convidados e padrinhos alinhados em frente ao sacerdote paramentado. Deliberadamente evitou olhar para a forma alta e imponente do noivo desavisado, fixando-se assim na floresta de mastros que oscilavam na água do outro lado das janelas. 
Sua irmã estava livre daquele casamento arranjado com um estranho, lembrou a si mesma, tentando acalmar seu coração disparado.
Quarenta minutos antes, Trina tinha recebido o pai no quarto onde estava se vestindo. Ela ainda usava este mesmo vestido, mas não tinha colocado o véu. Prometera a Grigor que não se atrasaria enquanto Viveka permanecia escondida. Grigor não sabia que Viveka estava de volta à ilha.
No instante em que ele deixara o quarto, Viveka tinha ajudado Trina a tirar o vestido e a irmã a ajudara a vesti-lo. Elas se abraçaram forte e então Trina desaparecera por um elevador de serviço, rumo ao hidroavião que seu verdadeiro amor havia fretado.
Eles estavam indo para uma das ilhas grandes ao norte, onde tudo estava preparado para que se casassem assim que o avião aterrissasse. 
Viveka estava ganhando mais tempo para eles, impedindo que alguém suspeitasse de alguma coisa, fazendo com que a cerimônia continuasse por tanto tempo quanto possível antes de se revelar e fugir também.
Fitou o horizonte novamente, procurando pela bandeira do barco que tinha contratado. Era impossível localizá-la, e isso a deixava mais ansiosa do que a ideia de entrar naquela embarcação em perfeito estado de conservação.
Viveka odiava barcos, mas não pertencia à classe de pessoas que podia alugar helicópteros particulares para levá-la para cima e para baixo.
Dera uma parte razoável de suas economias para Stephanos, para ajudá-lo a levar Trina embora naquele pequeno avião. Gastar o resto para cruzar o Egeu de lancha era quase o seu pior pesadelo, mas a balsa que a trouxera para a ilha naquela manhã só fazia uma viagem por dia.
Viveka sabia em qual rampa o barco estava atracado. Pagara ao capitão para esperar por ela e Stephanos tinha assegurado que podia deixar suas malas a bordo. Quando fosse descoberta, não precisaria sequer trocar de roupa.
Correria para aquele barco miserável, cerraria os dentes e velejaria em direção ao pôr do sol, feliz por ter finalmente levado a melhor sobre Grigor.

Uma Vez mais com Ternura

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Que sensação indescritível, para Kate, ter a nudez de Brandon sobre a sua! 

E Brandon, então... quer acariciá-la inteirinha, sentir o sabor desse corpo moreno. Está faminto por ela!
Foram cinco longos anos de separação, de saudade, de tortura. Agora, Kate assusta-se com seus próprios gemidos, teme enlouquecer de tanta excitação.
Deseja Brandon desesperadamente, aqui, agora, depressa. Mas tem medo de sofrer de novo, de morrer por amor...

Capítulo Um

Enquanto a observava a distância, ele pensava que ela não mudara nada naqueles cinco anos. O tempo, ao que parecia, não correra nem se arrastara; mantivera-se simplesmente inalterado, para ela.
Kate Williams era uma mulher pequena e esbelta, de gestos rápidos e nervosos que a tornavam inexplicavelmente atraente. 
Trazia no corpo o bronzeado dourado do sol da Califórnia; aos vinte e cinco anos, sua pele era macia e fresca como a de uma criança. Não porque se preocupasse com ela. Cuidava do corpo apenas quando se lembrava, mas ninguém diria isso. 
Os cabelos longos eram negros e fortes e ela costumava usá-los sempre soltos, as pontas quase tocando-lhe a cintura.
O rosto era o de uma fada, com maçãs bem definidas e queixo levemente pronunciado. Sabia sorrir com a boca e com os olhos que, redondos e acinzentados, deixavam transparecer todas as suas emoções. 
Talvez por isso, e também por possuir uma voz macia e melancólica, fizesse tanto sucesso junto ao público.
Kate nunca se sentia à vontade no estúdio de gravação. 
Seis anos haviam-se passado desde que lançara o primeiro disco, mas ainda experimentava uma sensação de desconforto sempre que era obrigada a isolar-se entre aquelas paredes de vidro à prova de som. 
Nascera para o palco, para as apresentações ao vivo. 
Uma comunicação mágica, uma troca fantástica de energias e de vibrações estabelecia-se entre ela e a plateia, num êxtase que se renovava e crescia a cada interpretação. Enquanto profissional, não podia prescindir das gravações, mas eram os shows que a realizavam como artista. 
Entretanto, sempre que se enfiava durante horas num estúdio, exigia que o resultado fosse perfeito. Da qualidade, Kate não abria mão. E, para chegar a isso, trabalhava arduamente. Como agora, por exemplo.
Com o fone de ouvido, ela acompanhava atentamente o playback. A música estava boa, mas havia qualquer coisa que... Não sabia dizer ao certo, mas a gravação poderia ter saído melhor. Fez sinal aos engenheiros de som para que parassem o playback.
— Marc?
Um rapaz de cabelos ruivos, com o físico de um lutador de boxe, entrou na cabina.
— Problemas? — perguntou, tocando o ombro de Kate.
— O último número está um pouco... — procurou a palavra exata 
— ...vazio. O que você acha?

Por um Encontro de Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Ela sabia que se envolver com Duke seria sua ruína.

Na penumbra da sala de sua mansão, a rica empresária Wynn Carson sente-se enlouquecer com as inesperadas carícias do ousado caminhoneiro.
Foi um absurdo convidar Duke Bellini para um drinque. Mas agora, tudo o que ela quer é sentir a virilidade dele de encontro ao seu corpo... o prazer fantástico de saber que será seduzida!
De repente, Duke a abandona, deixando Wynn a arder nas chamas de desejos selvagens, obsessivos, insatisfeitos...
Capítulo Um

Wynn Carson acelerou seu Fiat esporte. O motor fez um ruído meio estranho e ela teve a ligeira impressão de que teria pela frente o supremo aborrecimento de ficar com o carro quebrado no meio da West Side Highway, uma das avenidas mais movimentadas de Manhattan.
Felizmente, nem tudo estava perdido. Havia um retorno logo adiante que poderia tirá-la do apuro. Ligou a seta e dirigiu-se para ele.
O ruído acusava problema no carburador ou nas velas. Três gerações dos Carson haviam dirigido qualquer coisa que andasse sobre rodas. E, se havia algo nessa vida que Wynn sabia reconhecer, era um carro com problemas.
Geralmente, ela evitava o ritmo frenético e intenso da West Side Highway, preferindo as ruas da Broadway para depois virar na Sexta Avenida. Mas hoje Wynn Carson tinha muita pressa.
Havia saído tarde do escritório e já estava atrasada para seu encontro com Howard Bartley. Não que ela estivesse particularmente interessada nele. Ao contrário. Seu acompanhante era tão sem graça que encontrar-se com ele chegava a ser uma tarefa penosa.
"Não entendo como você consegue aguentá-lo", dissera um dia Mike Carson, seu pai.
Wynn sentiu um nó na garganta. Já havia se passado um ano desde a morte dele, mas ainda não conseguia acreditar que o pai não estivesse mais ali, a seu lado.
Olhou para o relógio. Não havia outro jeito. Howard teria que esperá-la de qualquer maneira. Diminuiu a velocidade ao chegar perto do retorno e rumou para a Washington Street. Até que seu Fiat não estava tão mal assim. Ele poderia ter facilmente seguido pela West Side Highway, sem deixar sua dona em má situação.
Mas talvez Wynn quisesse mesmo chegar atrasada ao encontro. Também, não era de admirar. Howard era tão monótono que não conseguia fazer nada para que o coração dela batesse mais depressa. Aliás, fazia com que batesse até mais devagar...
Olhou em volta. O único estacionamento disponível era em frente a um restaurante, em cuja placa se lia: "B. C." B. C. era a abreviação de "Banda dos Cidadãos", a famosa estação de rádio tão sintonizada pelos caminhoneiros de toda a cidade. Wynn conhecia bem a tal rádio. Marty, seu muito querido irmão, a ouvia o dia todo.
O vento de abril que entrava pelo vidro aberto do carro desmanchou-lhe os cabelos e ela afastou uma mecha dourada que caía em sua testa. E, decidida, entrou no estacionamento em frente ao restaurante.
Só que não desceu imediatamente. Ficou ali dentro, parada, deixando que as lembranças de sua família viessem assombrá-la como fantasmas.
Wynn Carson havia adorado seu avô, Bill Carson, apelidado de Búfalo Bill pelos colegas de estrada, por causa de sua intrépida coragem. Assim como adorara seu pai, Mike, que, nascido e criado num apartamento minúsculo na Thompson Street onde se amontoavam doze pessoas, acabara fundando uma grande companhia de caminhões. Seus irmãos Greg e Marty deveriam ter herdado os negócios, mas o adorável Marty morrera no Vietnã e Greg, para espanto geral, resolvera seguir a carreira de clarinetista clássico.
Pelo menos ele tivera um destino melhor que Marty. Sobrevivera aos horrores da guerra e se casara com uma moça agradável e sensata, que lhe dera dois filhos bonitos e saudáveis.
Então, quando um enfarte fulminante tirara a vida de Mike Carson, só houvera uma pessoa para substituí-lo na direção da empresa: a caçula Wynn.

No Silêncio da Noite

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
relançamento formatado
Tratada como marginal, Harriet se perguntava o motivo de tanta humilhação. 

Harriet revirou-se na cama, aflita.
Devia ser mentira que estivesse isolada num cubículo minúsculo e abafado, sem ao menos uma janela!
Que crime havia cometido para que Alexis a confinasse, feito uma criminosa, depois de lhe arrancar o pequeno Nicky dos braços?
No silêncio da noite, Harriet tinha que se conformar com o desprezo do homem que ela amava!


Capítulo Um


Localizados no luxuoso edifício King Arthur, no centro financeiro de Londres, os escritórios ingleses das Indústrias Apolo, de origem grega, davam apenas uma pálida ideia do poder e da riqueza de Alexis Markus, herdeiro e acionista majoritário da empresa, que além dos estaleiros em Atenas ramificava-se em inumeráveis negócios por várias capitais europeias, além de outros tantos interesses espalhados pelos cinco continentes.
Cronistas sociais do eixo Londres-Roma-Paris, e até mesmo da distante Nova York, tinham nas constantes viagens daquele homem, material abundante para fofocas que corriam de boca em boca entre o seleto grupo do jet set internacional, que frequentava lugares sofisticados onde um simples mortal jamais pisara.
Harriet Masters, que por força de um parentesco jamais desejado, acompanhava esses noticiários, tinha, pois, razões de sobra para se sentir derrotada antes mesmo de chegar ao King Arthur, onde a aguardava uma entrevista desagradável no departamento jurídico.
 Fora convocada pelo advogado da empresa, Sr. Philipides, para o que seria talvez o último capítulo da longa batalha que vinha mantendo com Alexis Markus, em torno da custódia do sobrinho de ambos, Nicky, que morava com ela há pouco mais de seis meses, desde que um acidente trágico levara a vida de seus pais.
Alguns anos antes, por motivos que Harriet jamais saberia, Kostas, irmão mais velho de Alexis, tivera violenta discussão com a família, que culminara com o rompimento dos laços e a posterior imigração dele para a Inglaterra. 
Chegando em Londres, o rapaz fez questão absoluta de manter em segredo suas origens aristocráticas, contentando-se com um modesto emprego de contador em uma loja de departamentos, onde viria a conhecer Beka Masters, funcionária do setor de pessoal e irmã mais velha de Harriet. 
Embora tivesse sido amor à primeira vista, namoraram durante quase um ano e casaram-se finalmente numa cerimônia simples, pouco depois de ele ter feito uma viagem às pressas para a Grécia, sem dizer à esposa ou à cunhada o que o levara até lá. 
Talvez tivesse ido convidar os parentes, ou, quem sabe, pedir ajuda para montar a casa... ninguém nunca soube ao certo. O fato é que nem no casamento, nem depois, a família Markus deu o ar de sua graça, tudo indicando, que o consideravam persona non grata.
Obrigados pela situação financeira, que não era das melhores, o jovem casal convidou Harriet a mudar-se para a casa em que moravam, num bairro próximo do centro, mediante uma ajuda mensal no aluguel. 
Como se dava otimamente com os dois, ela abandonou o quarto de pensão que dividia com algumas colegas e passou a conviver em um ambiente maravilhoso, pois o amor que Beka e Kostas nutriam um pelo outro fazia-a sentir-se em um mundo de conto de fadas.
Somente depois de um ano de casados foi que Kostas, num momento em que discutia com a esposa o nome que daria ao filho prestes a nascer, mencionou que pertencia à poderosa família de magnatas gregos. Nessa ocasião, mostrou-se bastante amargurado:
— Minha mãe me considera a ovelha negra e tenho a impressão de que jamais deseja me ver pela frente. Alexis, por sua vez, faz o jogo dela, embora esteja mais preocupado em posar ao lado de manequins e estrelas de cinema nas praias de Saint-Tropez.
— Oh, Kostas, por que você nunca me falou que sua família era tão rica?
— E que diferença faria, Beka? 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O Natal dos Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Saga Família Cald.
Os invernos de Montana são ásperos, mas o mau tempo não estará no caminho da reunião de Natal dos Calders. 

No entanto o Patriarca Chase Calder está determinado a tornar este feriado o mais feliz ― especialmente para sua filha, Cat. E Chase sabe que os melhores presentes nem sempre são feitos com papel e fita.






Capítulo Um

Um chinook, um vento quente que varre a área durante o inverno, há muito conhecido como a neve comedora pelas tribos nativas, varria as vastas planícies de Montana. Sua respiração era quente, derretendo o cobertor branco invernal que cobria as gramíneas ricas da terra.
Sobre a terra ondulante da alta pradaria, ele corria e invadia a sede do famoso rancho Triplo C., girando em torno dos muitos edifícios que davam ao local a aparência de uma pequena cidade.
Inevitavelmente, o chinook se virava para cima da colina em um túnel, através das colunas altas que revestiam o pórtico da grande casa branca, que continha uma visão dominante do pátio do rancho. Seu próximo alvo foi o da ondulação da fumaça da chaminé, achatando-a e levando ao longo de sua carreira sobre a terra. 
A fonte da fumaça era o fogo, que ardia na lareira de pedra maciça da sala de estar. Seu calor era uma concessão ao patriarca do Triplo C., Chase Calder. 
Ele se sentava em sua cadeira habitual, por trás da grande mesa de carvalho da sala, sua bengala enganchada na borda da cadeira. Os anos tinham tomado muito de seu vigor, assim como tinham encolhido a sua grande estrutura, e esculpido uma rede de linhas profundas em seu rosto ossudo. Mas nada que tivesse embotado o brilho acentuado nos seus profundos olhos vivos.
Chase Calder podia estar velho, mas só um tolo poderia pensar que a idade tinha diminuído sua percepção das coisas que aconteciam ao seu redor.
Seu olhar vagava para sua nora viúva. Jessy Calder se sentava em uma das cadeiras em asa, de frente para o balcão. Vestida em trajes de fazendeira típica, com botas de cowboy, jeans e uma camisa, ela ainda possuía a figura da menina magra de sua juventude. 
Apenas as linhas da idade, atraentes ao redor dos olhos, e da ligeira cor prata de seus cabelos castanhos, revelavam que Jessy também tinha ficado mais velha. Atualmente, as rédeas do Triplo C. estavam em suas mãos, coisa que ela conduzia com facilidade, mostrando tanto a tutela tranquila de Chase, como a sua própria capacidade inata.
Como muitos outros trabalhadores do Rancho, tinha suas raízes muito bem firmes nas profundezas da terra. Jessy tinha nascido no Rancho, e passara seus primeiros anos como um peão normal, antes de se casar com o único filho de Chase. 
Seu sólido conhecimento do negócio de gado, e seu respeito permanente para com a terra que a apoiava, juntamente com a sua própria força tranquila, lhe forneceram a base para uma líder de categoria.
Cedo, Jessy tinha passado mais da responsabilidade pelas operações diárias do Rancho, para seu filho Trey, preparando-o para o dia em que ele fosse assumir o controle, assim como Chase a havia preparado. Era esta liberdade das minúcias do dia a dia, que permitia a Jessy relaxar na sala e desfrutar de um copo de café no meio da manhã, com seu sogro.
Uma forte rajada do vento típico da região, atingiu um dos vidros da janela. Automaticamente Jessy olhou em sua direção, fazendo uma pausa no ato de levantar a xícara de café aos lábios.
— Eu gosto do som disso. — Jessy comentou passivamente. — Isso significa que não terá feno para o gado. Quanto mais tempo eles tiverem a boa grama Calder para pastar, melhor será para o nosso balanço financeiro.
Mesmo com o brilho de um sorriso confirmando, os cantos da boca de Chase se aprofundaram, e o cowboy alto e magro em pé ao lado da lareira, enviou um sorriso de lado na direção de Jessy. 
— Falou como uma verdadeira pecuarista. 


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A Tempestade Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Saga Família Cald.
Olhando para sua acidentada vida de cowboy, Trey Calder poderia escolher a mulher que bem quisesse.

Mas ele está esperando por alguém especial, e no instante em que coloca os olhos sobre a fotógrafa Sloan Davis, tem certeza que a encontrou, e dentro de algumas semanas os dois estão casados. 
É um sonho tornado realidade para Sloan órfã... até Trey fazer uma descoberta surpreendente sobre Sloan e quem ela é realmente.
A paixão se transforma em suspeita e um jogo perigoso é posto em movimento, colocando em perigo tudo aquilo pelo qual os Calder tem trabalhado durante o longo das gerações. Um inimigo formidável estava à espreita. Alguém que vai usar todos os meios necessários para controlar suas terras, suas vidas e seu legado para sempre. 
Trey Calder foi treinado para assumir o rancho de sua família, para proteger o que é deles. Agora chegou o momento do filho Calder tomar uma posição e esperar que o seu caminho seja o caminho certo.

Capítulo Um

O sol da tarde estava a deriva para baixo em direção ao horizonte ocidental, lançando sua luz brilhante através de um vasto céu em Montana com fitas de nuvens como uma cauda de cavalo. 
A primavera camuflando as vastas planícies com seus tons de verde fresco e perfumando o ar com o vigor cru de uma nova vida, tudo sempre afiado e limpo.
Jessy Calder respirou seu perfume selvagem quando saiu do lado do passageiro da picape. Estampada no painel da porta da camionete estava uma versão ampliada da marca Triplo C. Abaixo dela, as letras impressas soletrando para fora o nome Calder Cattle Company.
Havia pouco sobre Jessy Calder que sugeriria a um estranho que ela fosse a atual chefe de um rancho com um número superior a um milhão de acres dentro de suas cercas de fronteira. 
Como de costume, a viúva do único filho de Chase Calder estava vestida com botas de cowboy, calças jeans e um chapéu marrom Stetson. A blusa branca sem enfeites, sob medida era a única exceção ao traje típico de trabalho.
A difusão das linhas ao redor dos olhos e da boca revelavam que ela tinha passado a marca dos cinqüenta há alguns anos, mas ainda conservava sua magreza, na figura de menina. E os cabelos prateando de cinza tinham apenas o efeito de aliviar sua cor de mel escuro.
Sem dúvida, Jessy Calder era uma mulher bonita, indelevelmente marcada com uma aura de competência calma. Muito mais sutil era o ar de autoridade que emanava dela também.
Virando-se, Jessy alcançou o casaco de camurça de corte ocidental que se encontrava no banco da frente na cabine da picape e o recolheu, fechando a porta do passageiro. 
A lamentação da roda livre de um semi na interestadual atraiu seu olhar para a rodovia dividida. Quase automaticamente seu olhar saltou para além dela para a varredura de longo alcance nas planícies que se estendiam ao norte.
Era uma grande terra, se espalhando embaixo de um céu ainda maior. Os estranhos viam monotonia em sua planicidade aparente sem discernir seus músculos se ondulando, mas Jessy havia nascido e se criado sobre as planícies ásperas e solitárias. Ela sabia que as riquezas que possuíam, também poderiam ser duras e implacáveis.
Aquela era uma terra que não se inclinava para a vontade de ninguém por muito tempo, mas para aqueles que escolheram viver com ela, havia uma recompensa a ser recolhida. 
A continuação da existência do Rancho Triplo C. era prova disso.
Quase com pesar, ela lançou seu olhar para longe da terra enorme e esquadrinhou a coleção de veículos estacionados no lote pavimentado do motel. 
A ausência de um em particular cortou um vinco confuso em sua testa quando olhou para o alto e magro cowboy esperando por ela no meio-fio.
Ele atendia pelo nome de Laredo Smith, embora Jessy soubesse há muito tempo que não era o seu verdadeiro nome, assim como sabia que ele era um homem com um passado que não iria suportar nenhum escrutínio. No entanto, ela nunca tentara descobrir a sua verdadeira identidade. 
No Triplo C., as pessoas ainda viviam pelos códigos do Velho Oeste. O primeiro deles era a regra não escrita que um homem seria julgado pelo que ele fazia, não pelo que tinha feito. E Laredo Smith provara sua lealdade e valor anos atrás. Mais do que isso, ela amava o homem, algo que ainda a espantava um pouco, especialmente quando recordava como certo que seu falecido marido era o único homem que ela nunca iria deixar de amar.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A Solitária Estrela Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Saga Família Cald.
Quint Echohawk é um homem da lei, não um fazendeiro, mas ele é um Calder por completo. 

E quando alguém se propõe a minar a propriedade dos Calder no Texas, é hora dele começar a investigar.
No momento em que Quint toca suas botas na sujeira existente no Texas, todos na cidade vivem com medo de Max Rutledge, o proprietário cruel de um rancho concorrente. 
Posando como um cowboy à procura de trabalho, Quint não tem ninguém em quem confiar além de "Empty" Vazio Garner e sua neta, Dallas. Em Vazio, Quint encontra um aliado firme e em Dallas, Quint encontra algo mais: a promessa de um futuro.
Em uma cidade onde a traição se encontra em cada esquina, onde cada porta destrancada, soco ou incêndio suspeito é apenas uma sugestão de coisas mortais que estão por vir, os Calder serão testados como nunca antes. E desta vez, poderia custar-lhes mais do que sua terra... poderia custar-lhes tudo.

Capítulo Um

A mãe natureza estava com um humor travesso. Enquanto o Texas tremia sob um céu nublado e um vento frio do norte, as planícies do leste de Montana desfrutavam das temperaturas médias, graças ao Chinook, um vento quente e úmido que soprava seu calor sobre o alto da pradaria.
Naquela terra grande e vazia que tinha sido uma vez o domínio dos poderosos Sioux, hoje mais de um milhão de acres estavam dentro dos limites da Calder Cattle Company, mais conhecida no ocidente como as raízes do Rancho Triplo C. Quint Echohawk tinha raízes profundas em seu solo. 
Sua mãe era a filha do patriarca da família, Chase Benteen Calder, e seu falecido pai, era um quarto Sioux.
Quint tinha herdado de seu pai, os olhos cinza esfumaçados, suas altas maçãs do rosto salientes e os cabelos pretos cintilantes. Mas havia muito do lado Calder nele também, visível na mandíbula de granito, no profundo conjunto de seus olhos, e na largura de seus musculosos ombros e peito.
Como um menino crescendo no Triplo C., ele fora apelidado de pequeno homem pelos vaqueiros do rancho. — Pequeno já mostrava como seria sua aparência, mas aos vinte e sete anos, tinha feito à transição completa para a idade adulta.
Com o sol da tarde quente em suas costas, Quint subiu os degraus da Casa Grande que há muito tempo, era a residência do clã Calder. 
O imponente edifício de dois andares era uma estrutura em escala grande, tornando-o visível por milhas como um navio branco maciço ancorado em um oceano de grama.
A Ação de Graças mal tinha passado, mas a Casa Grande já estava decorada no estilo do feriado com uma guirlanda de Natal na porta e uma guirlanda enroscada em torno de seus pilares de sustentação. 
Na luz do dia, uma infinidade de luzes cintilantes era invisível, mas elas estavam lá do mesmo modo.
Quint parou no topo da escada e se voltou para o levantamento do pátio do rancho com a sua expansão dos edifícios. 
Para uma pessoa de fora, a sede do Triplo C. se assemelhava a uma pequena cidade do interior e em muitos aspectos era isso mesmo.
Além do sortimento habitual de celeiros e galpões associados ao negócio do rancho, havia um comissário abastecido com uma variedade de suprimentos essenciais que corriam a escala de gêneros alimentícios e roupas de trabalho para peças de equipamentos e de veículos. 
Há alguns anos atrás uma seção tinha sido adicionada para proporcionar espaço para locação de vídeos e os correios do rancho. Outros prédios abrigavam um primeiro dispensário de auxílio, uma oficina de soldagem, e uma escola primária. 
Além do velho barracão-cozinha que servia refeições como um pequeno restaurante, ainda havia quase uma dúzia de casas que eram utilizadas para os peões casados e suas famílias.
Considerando-se que a cidade mais próxima ficava a cerca de duzentas milhas de distância, a fazenda em si cobria tanto terreno como alguns estados do leste, o Triplo C. e tornara-se autossuficiente em casos de necessidades e a família Calder controlava cada polegada dele.
Esse conhecimento estava na parte do passado da mente de Quint quando aleatoriamente passou o olhar sobre o grande aglomerado de edifícios. 
Pela vontade de sua mãe, ele iria desempenhar um papel importante na operação pecuária, embora ambos soubessem que as rédeas do Triplo C. acabariam passando para o filho de seu irmão, Trey. Quint não tinha nenhum problema com aquilo, convencido que aquele seria um papel para o qual Trey nascera para preencher. Mesmo Quint considerando que resolver o seu próprio futuro, ainda estivesse longe daquilo, como sempre, aquele problema era algo que Quint guardava para si.

Busca pela Felicidade

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Uma segunda chance?

Depois de dois longos anos, Sam Wyatt está de volta à cidade, trazendo grandes planos para os negócios da família. 
Mas, antes, ele precisa encarar as pessoas que deixou para trás… incluindo a mulher que nunca conseguiu esquecer. 
Lacy Sills ainda não havia superado o abandono do marido, e fica chocada ao descobrir que ele será seu novo chefe! 
Ela sabe que trabalhar ao lado de Sam significa se entregar aos seus encantos. 
Mas ao descobrir os motivos que o levaram a reatar o relacionamento, ela entende que jamais poderá perdoá-lo. E nem mesmo uma reviravolta do destino a faria mudar de ideia…

Capítulo Um

— Você conseguiu voltar para casa — murmurou Sam Wyatt enquanto olhava a construção principal do resort de sua família. — A questão é: alguém vai ficar feliz por ver você?
Por que ficariam? Ele havia partido de Snow Vista, Utah, dois anos antes, quando seu irmão gêmeo morreu. E, ao ir embora, deixou sua família para recolher os cacos após a morte de Jack.
A culpa obrigou Sam a partir. Manteve-o longe. Agora, uma culpa diferente o trazia de volta. Talvez fosse hora de enfrentar os fantasmas que assombravam aquela montanha.
O alojamento parecia igual a antes. Toras rústicas, telas cinza e uma larga varanda com poltronas e almofadas. A construção tinha três andares; a família Wyatt acrescentou o terceiro para servir de acomodações a eles alguns anos antes. 
Quartos de hóspedes ocupavam os dois primeiros andares, e também havia algumas cabanas no local, oferecendo privacidade e uma vista inigualável. Mas, em geral, os turistas que iam esquiar em Snow Vista se hospedavam em hotéis mais para baixo na montanha. 
O resort dos Wyatt não comportava todos. Alguns anos antes, Sam e seu irmão gêmeo, Jack, haviam traçado planos para expandir o alojamento, acrescentando cabanas e transformando a propriedade dos Wyatt no principal local das montanhas de Utah. 
Os pais de Sam, Bob e Connie, tinham se animado, mas, ao que parecia, as ideias de expansão cessaram quando Sam partiu. Assim como muitas outras coisas.
Ele segurou com força sua bolsa de viagem e desejou loucamente poder controlar seus pensamentos. Aquele retorno não seria fácil. Mas era hora de encarar o passado.
— Sam!
A voz que chamou o nome dele era familiar. Sua irmã, Kristi, vinha diretamente na sua direção. Ela vestia um casaco azul e calça de esqui presa dentro de botas pretas. Seus grandes olhos azuis faiscavam... e não de boas-vindas.
— Oi, Kristi.
— Oi? Isso é o melhor que você pode fazer? “Oi, Kristi”? Depois de dois anos?
Ele aceitou a raiva dela. Sam sabia o que enfrentaria quando voltasse para casa.
— O que quer que eu diga? Ela fez um som de desdém.
— É meio tarde para você me perguntar o que eu quero, não? Se você se importasse, teria perguntado antes de ir embora.
Ele não tinha como contestar aquilo. Recordando-se da maneira como Kristi sempre havia se espelhado nele e em Jack, Sam percebeu que não seria fácil aceitar que a fase em que ela o idolatrava como um herói tinha passado. Claro, foi ele próprio quem a fez terminar.
Contudo, ele não estava ali para remoer decisões antigas. Fez o que precisou fazer naquela época, tanto quanto estava fazendo agora.
— Se tivesse me perguntado naquela época, eu teria lhe dito para não ir embora. — Sam viu uma película de lágrimas cobrindo os olhos dela. Mas Kristi piscou rapidamente, como se estivesse determinada a contê-las. — Você nos abandonou. Simplesmente foi embora. Como se nós não importássemos mais...
Ele suspirou.
— É claro que vocês importavam. Ainda importam.
— Falar é fácil, não é, Sam?

Promessas por uma Noite

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Um desafio inigualável!

Encantamento não era algo que o bilionário Marcus Fallon estava acostumado a sentir. 

Porém, quando seus olhos cruzaram com os de Della Hannan, ele sabia que precisava tê-la. 
Quando um beijo abre caminho para a rendição, Marcus percebe que uma noite não seria suficiente. 
O problema é que Della não queria um relacionamento sério! 
E, pela primeira vez na vida, esse infame playboy percebe que o jogo virou: a única mulher que ele realmente deseja não tem intenção alguma de ficar ao seu lado.

Capítulo Um

Apenas uma coisa poderia deixar o trigésimo aniversário de Della Hannan ainda melhor do que ela planejara ser. E era uma coisa que ela sequer planejara. Isso significava muito, pois vinha ajustando os detalhes da comemoração desde que era uma menininha que morava num bairro onde festas de aniversário eram um luxo inalcançável e, portanto, ignorado. 
Onde muitas coisas eram inalcançáveis e ignoradas. Coisas como... Bem, coisas como Della. E fora por isso que ela prometera a si mesma um evento tão festivo. Pois, desde que era uma menininha, soubera que poderia depender apenas de si mesma.
Claro, os últimos 11 meses haviam mudado esse pensamento, pois, desde que conhecera Geoffrey, não tivera escolha a não ser contar com ele. Mas Geoffrey não estava ali naquela noite, e ela não se permitiria pensar nele ou em qualquer outra coisa daquele mundo. 
Aquela noite era especial. Aquela noite era dela. E seria tudo o que uma criança pobre de um dos bairros mais perigosos de Nova York poderia imaginar.
Quando mais nova, Della jurara que, antes de completar 30 anos, já teria escapado daquelas perigosas ruas de seu bairro e se tornado milionária, morando no melhor lugar da cidade. 
Ela também jurara marcar seus grandes 3.0 no estilo dos ricos e famosos, um estilo ao qual imaginara que já teria se acostumado naquele momento de sua vida. Ela não negaria essa promessa, embora estivesse comemorando em Chicago, não em Nova York. Começaria jantando num restaurante cinco estrelas. Depois, um assento num camarote na ópera.
Para finalizar a noite, iria a um clube que permitia a entrada apenas da nata da sociedade. Ela estava usando roupas de milhares de dólares, pura alta costura, cheia de rubis e diamantes, e fizera seu cabelo e suas unhas no melhor salão da cidade.
Suspirou de contentamento enquanto desfrutava da primeira parte de sua noite. O restaurante onde ela estava era caríssimo. Pedira os itens mais caros do cardápio; todos com nomes europeus. Afinal, isso era o que pessoas sofisticadas e ricas faziam, certo?
Pensar nisso a fez olhar sorrateiramente à volta, para ter certeza de que Geoffrey não a seguira, apesar de ela ter conseguido sair às escondidas e de ter combinado falar com ele apenas no dia seguinte. 
Mesmo que ele descobrisse que ela saíra, não teria como saber aonde ela iria. Della planejara a fuga daquela noite muito mais meticulosamente do que planejara a comemoração de seu trigésimo aniversário.
Para todos ali, Della tinha tanto pedigree quanto eles e pertencia àquela sociedade.
E sentia mesmo que seu lugar era ali, tomando champanhe enquanto esperava a chegada de seu aperitivo de lulas. Ela vinha se movimentando em ambientes como aquele fazia anos, apesar de não ser de família rica. Lutara para sair da pobreza, subindo para as altas camadas da sociedade.
Os tons vermelhos de seu vestido e seu sapato, alugados por uma fortuna, complementavam seus olhos de cor acinzentada e o cabelo loiro-escuro que já estava comprido o suficiente para ser preso num coque em estilo francês.
Della sorriu. Gostava de seu cabelo longo. Passara toda a sua vida com ele masculinamente curto até o início daquele ano.
Mas ela não pensaria em nada disso. Aquela noite seria perfeita. Seria exatamente como planejara tantos anos antes.
A não ser, talvez, pelo lindo e elegante homem que a hostess acomodara numa mesa perto da dela alguns instantes antes. Della não conseguia parar de olhá-lo de esguelha. Quando mais nova, nunca pensara na ideia de ter uma companhia em sua noite especial. Talvez pelo fato de ela nunca ter podido contar com ninguém além de si mesma. Ou talvez por nunca ter se imaginado com um homem como aquele.
Sem aviso, o homem ergueu os olhos, seu olhar se conectando ao dela. Algo entre eles...

Um Amor Inesperado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Família Kowalski
Feitos um para o outro?

Liz Kowalski não pretendia se envolver com o melhor amigo de seu irmão, mas também não imaginava que seria tão difícil resistir a Drew! 
Ele, por sua vez, está cansado de romances passageiros. E por mais que seu encontro com Liz tenha sido maravilhoso, Drew sabe que eles não têm futuro. 
Tudo muda durante o acampamento anual dos Kowalski. Em meio à família, amigos e muita lama, Drew e Liz tentam lutar com o sentimento que cresce entre eles. 
Passar um tempo a sós sob as estrelas pode ser exatamente a solução para juntar duas pessoas determinadas a não se apaixonarem…

Capítulo Um

A lata-velha, com mais de 30 anos, de Liz Kowalski, carregada com todos os seus pertences, passou pela placa de “Bem-vindos a Whitford, Maine,” com os pneus carecas aquaplanando em direção a uma vala.
Com as mãos apertando o volante, ela soltou um palavrão quando a traseira do carro bateu de encontro a uma árvore e o porta-malas se abriu. 
Fechar aquela droga foi como enfiar um elefante em uma caixa de sapatos, e ela quase podia ouvir o ruído de seus pertences pipocando para fora. Bem-vinda ao lar, pensou, segundos antes de o para-choque esquerdo dianteiro abrir uma fenda no tronco de um velho pinheiro, pondo fim à derrapagem com um solavanco de quebrar os ossos.
Ótimo. Que merda!
Liz permaneceu imóvel por um minuto, respirando com dificuldade e se perguntando quanto tempo demoraria até conseguir tirar a mão do volante. Cinco minutos, talvez. Dez. Nunca levou um susto tão grande em toda a sua vida.
A batida na janela quase a levou a fazer xixi na calça.
Um senhor idoso, com um chapéu de pescador sobre a cabeça, olhava para ela, e ao seu lado havia uma mulher, sua esposa, por certo, tentando enxergar por cima do ombro dele. Liz conseguiu ler as palavras ela morreu nos lábios dela.
Abaixando a janela, forçou um sorriso reconfortante.
— Eu de fato agradeço por pararem, mas estou bem, obrigada.
— Fique onde está — ordenou o homem. — Minha esposa ligou para a emergência.
Ah, não. Não, não, não.
— Não havia necessidade. Estou bem. Sério. Não sofri sequer um arranhão.
Não estava totalmente certa disso, mas não sentia dor em parte alguma. Apenas um monte de músculos que ficaram tensos e agora começavam a relaxar. E talvez uma pontada de dor de cabeça se insinuando.
— Não tem problema. Ficaremos aqui com você até que a polícia chegue.
Talvez não fosse Drew Miller. Afinal, ele era o chefe de polícia em Whitford e por certo não se ocupava com pequenos acidentes de trânsito. Era bem provável que ficasse sentado em sua mesa, cuidando da parte burocrática, e enviasse patrulheiros para o local do acidente. Assim ela esperava.
Liz segurou a maçaneta para abrir a porta, mas o Senhor Bom Samaritano a fechou de volta.
— Você não deve se mover até que os paramédicos a examinem.
— Está chovendo. O senhor deveria voltar para o seu carro. — Para que ela pudesse desfrutar de uma relativa privacidade e saber quantos de seus pertences estavam ficando encharcados. Quando o homem sacudiu a cabeça em negativa, ela reprimiu um suspiro de frustração. — Eu derrapei para fora da estrada e resvalei em uma árvore. Não é um acidente grave.
— Você pode estar em choque.
Por bater com a lateral do carro em uma árvore? Pouco provável. Mas não podia ser mais firme com seus aspirantes a socorristas sem soar rude.
— Eu sequer bati com a cabeça na janela.
— Melhor prevenir do que remediar.
Passaram-se mais cinco minutos bastante embaraçosos, antes de ela ouvir o ruído da sirene. Em vez de se sentir aliviada — afinal o resgate de seus bons samaritanos estava a caminho —, Liz inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Sequer se incomodou em rezar para que não fosse o chefe de polícia, enquanto o som da sirene soava cada vez mais próximo. Do jeito como estava com sorte, seria Drew, e tudo estava prestes a ficar muito mais estranho.
— Não durma, querida — gritou a Sra. Boa Samaritana pela janela. — Você pode ter sofrido um trauma craniano. Fique conosco!



Série Família Kowalski
1- Exclusiva para você
2- Somente para Você
3- Feita para Você
4- Tudo por Você
5- Tudo o que Ele Deseja
6- All He Ever Dreamed - a revisar
6.5 Alone With You - a revisar
7- Um Amor Inesperado
8- Taken with You
9- Falling for Max

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A Promessa Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Saga Família Cald.
Esta é a história de Laura.

Laura é filha de Jessie e não é nada como sua mãe. 
Ela está percorrendo a Europa com sua “tia” Tara quando ela encontra dois homens: Boone Rutledge, filho de um rico barão de gado do Texas e Sebastian Dunshill, Conde de Crawford.










Capítulo Um

O brilho da luz de velas dava lisonjeiras boas-vindas aos hóspedes que chegavam à casa do conde e da condessa Valerie, um palácio do século XVI, no Capitólio de Roma. 
Aos vinte e um anos de idade, Laura Calder passava um olhar apreciativo sobre os afrescos e frisos que adornavam as paredes e tetos de um dos muitos salões do palácio, mas sua atenção se voltava rapidamente para seus colegas.
Nem todos se reuniram no salão de baile. Alguns, primeiro socializavam como ela, mostrando-se em torno do palácio, num passeio que Laura tinha terminado recentemente. 
Praticamente todos eram estranhos para ela, embora Laura reconhecesse vários rostos, identificando-os a partir de fotografias que tinha visto em qualquer sociedade ou páginas de negócios. 
Até agora, tinha visto um produtor italiano de cinema, um dignitário francês, um industrial americano, um ex-primeiro-ministro britânico, um enviado papal investido, e um autor vencedor do Prêmio Pulitzer.
No entanto, observando a multidão de notáveis e celebridades, Laura estava tentada a emitir um estridente "uau" apenas para assistir as ondas de choque que criaria entre tais. Ela séria e digna sorriu ao pensar em todas as sobrancelhas levantadas e narizes erguidos que lhe seriam dirigidos se o fizesse.
Talvez numa outra vez, decidiu.
— Desculpe-me, mocinha. — Entre a conversa estrangeira acontecendo em torno de Laura, a voz masculina rouca e um pouco exigente era muito distintamente americana com seu sotaque do Texas para não chamar imediatamente sua atenção.
Quando olhou ao redor para localizar a sua fonte no acusticamente pobre salão de baile, viu um homem mais velho em uma cadeira de rodas, posicionado de frente para as portas que se abriam para o pátio interior do palácio. 
Em um piscar de olhos, ela observou a prata grisalha de seus cabelos, a áspera fisionomia, a magreza forrada de idade de seu rosto, e a espessura de seu torso musculoso abaixo do corte fino do paletó, uma espessura que estava tão em desacordo com a esbelteza atrofiada das pernas.
Havia algo vagamente familiar sobre seu rosto, e sobre o fato de que ele pertencesse a um homem em uma cadeira de rodas, mas Laura não podia fazer a conexão para chegar ao seu nome. Tardiamente, ela notou que seus duros olhos escuros tinham se fixado sobre ela.
— Você aí. — Ele acenou para ela, depois parou e fez uma careta, incerto. — Você fala inglês?
Sua boca se curvou em um sorriso fácil. — Eu falo, de fato.
— Uma americana. Graças a Deus, — O homem murmurou meio baixinho, em seguida, quebrou o contato visual com ela e acenou com a cabeça em direção à porta. — Dê-me uma mão com esta porta. Eu preciso de um pouco de ar.
Laura percebeu a nota de frustração em sua voz e adivinhou imediatamente que se tratava de um homem que detestava a ideia de precisar da ajuda de alguém. Assim como seu avô, que se tornava muito irritável.
Certa que iria encontrar qualquer resposta verbal cansada, Laura não disse nada e simplesmente caminhou para a porta. Quando a empurrou, notou o limiar elevado e sabia que poderia representar um problema para ele, mesmo que a cadeira de rodas fosse motorizada. 
Sem dizer uma palavra, ela passou para ele a sua bolsa de noite, de contas e deu um passo para a parte de trás de sua cadeira. Segurando nas alças, lhe deu um empurrão e inclinando-a, virou-o para o pátio interior.
Com um toque dos controles, o homem virou a cadeira e correu um olho avaliador sobre ela, inspecionando a curva ascendente sofisticada de seus cabelos loiros; a finura esculpida de suas características, os diamantes que pendiam de suas orelhas, e a elegância da seda de seu vestido, a rica cor de chocolate intensificando o marrom escuro de seus olhos, contrastando com o ouro de seus cabelos.
— Você é mais forte do que parece. — Ele anunciou, sem fazer nenhum esforço para devolver a bolsa de noite.
— Vou tomar isso como um elogio. — Laura permitiu um pequeno sorriso em seus lábios.
— Qual o seu nome?
— Laura Calder.
— Calder, você disse? Qualquer relação com os Calder de Montana?

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A Mudança do Vento Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Saga Família Cald.
Chase Calder não tem lembrança de quem ele é, porque foi parar em Fort Worth ou quem tentou colocar uma bala em sua cabeça na noite em que um vaqueiro chamado Laredo Smith salvou sua vida. 

Laredo o reconhece como o proprietário do Rancho Triplo C. em Montana, mas de acordo com os jornais locais, Chase acaba de ser declarado morto, vítima de um acidente de carro que se incendiou. O único lugar onde Chase pode encontrar respostas está no Triple C, e a única pessoa em quem pode confiar é sua nora de sangue frio, Jessy Calder. 
Ajudando Chase, Jessy entra em conflito com Cat, a teimosa Calder, numa aliança com Laredo Smith, misterioso e sedutor. E quando outro membro da família é encontrado morto em solo Calder, Chase resolve sair do esconderijo e rastrear um assassino cruel... antes que o assassino o encontre.

Capítulo um

A negritude rugia em sua volta e ele lutava para ficar à superfície de alguma forma, sabendo que se não o fizesse iria morrer. Os sons chegavam a ele como se viessem de uma grande distância, numa mensagem, como o raspar de sapatos no pavimento, a batida metálica de uma porta de carro e o zumbido agudo de um tiro.
Alguém estava tentando matá-lo.
Tinha que sair dali, mas no instante em que tentava se mover, a escuridão o invadia com uma força estonteante. Ele ouviu o estrondo da rotação de um motor de carro partindo. Incapaz de se levantar, rolou para longe do som dos pneus na fiação queimada da borracha quando outro tiro ecoou.
As luzes piscavam em um clarão brilhante. 
Havia perigo em si, ele sabia e tinha que chegar às sombras lutando contra a fraqueza que dominava seus membros, então se arrastou para longe da luz.
Sentiu a sujeira debaixo de suas mãos e enfiou os dedos dentro dela. Sua força se esvaia, e permaneceu deitado ali por um momento, tentando se orientar, e determinar a localização do homem que tentava matá-lo. Mas a dor lancinante na cabeça tornava difícil pensar logicamente. 
Estendeu a mão e sentiu a umidade quente em seu rosto e foi quando soube que tinha sido baleado. Resumidamente, seus dedos tocaram o vinco profundo onde a bala tinha rasgado o lado de sua cabeça. A dor o percorreu imediatamente em ondas negras.
Consciente que poderia perder a consciência a qualquer momento, pelo ferimento na cabeça ou pela perda de sangue, convocou os últimos vestígios de sua força e se atirou mais profundamente na escuridão. 
Com o sangue borrando sua visão, sentiu mais que viu os contornos sombrios de um poste e um corrimão. Parecia ser um curral de algum tipo. Empurrou-se em direção a ele, querendo qualquer tipo de barreira, não importando sua fragilidade, entre ele e seu perseguidor.
Houve um sussurro de movimentos à sua esquerda. Seu alarme interno disparou, mas não conseguia fazer seus músculos reagirem. Estava muito fraco quando olhou para o lado, e mesmo assim, viu um homem abaixado com um chapéu de vaqueiro, se esticando com uma pistola na mão.
Em vez de disparar, o vaqueiro estendeu o braço livre para ele. — Vamos lá. Vamos, segure aqui, meu velho, — o vaqueiro sussurrou com urgência — ele está lá em cima na passarela procurando uma posição melhor.
Ele agarrou o braço do vaqueiro e cambaleou como um bêbado aos seus pés, sua mente ainda tentando se envolver em torno da frase "meu velho". Apoiando-se pesadamente em seu salvador, cambaleou para frente, lutando contra a falta de jeito de suas pernas.
Depois de uma eternidade, o vaqueiro o empurrou para dentro da cabine de uma picape e fechou a porta. Ele caiu contra o assento e fechou os olhos, incapaz de convocar um mínimo de força. Estava ciente do deslizamento do vaqueiro atrás do volante e do motor começando a funcionar em seguida, e das vibrações do movimento.
Através dos olhos semicerrados, olhou no espelho lateral, mas não viu nada para indicar que estavam sendo seguidos. Estavam fora de perigo agora. Espontaneamente veio a advertência de que seria apenas temporário; quem quer que estivesse tentando matá-lo iria tentar novamente.
Quem teria sido? E por quê? Ele procurou as respostas e não conseguiu chegar a qualquer uma.
Era necessário usar muito esforço para pensar. Escolhendo conservar os remanescentes de sua força, olhou pela janela para os edifícios desconhecidos que ladeavam a rua.
— Onde estamos? 


Série Saga Família Cald.
1  Os Donos da Terra
2  A Terra dos Calder
3  A Luta pela Terra
4  O Amor pela Terra
5- O Orgulho Calder
6- A Grama Verde dos Calder
7- A Mudança do Vento Calder
8- A Promessa Calder

A Grama Verde dos Cald.

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Saga Família Cald.
Jessy Niles Calder não é o tipo de mulher para conduzir um homem ou ser conduzida por ele. 

Teimosa e orgulhosa, com suas raízes profundamente presas no solo Calder, sempre soube que Ty Calder era o homem para ela, mesmo que tivesse que esperar que ele abandonasse seu casamento sem amor com uma pobre menina rica, Tara.
Agora, como esposa de Ty, Jessy finalmente tem tudo o que sempre quis ― os laços fortes da família, um rancho próspero e a tão aguardada promessa de uma nova vida crescendo dentro dela... prova de seu amor por Ty. E então Tara retorna. Tão manipuladora quanto bonita, Tara nunca trouxe nada com ela além de problemas, e Jessy só pode se perguntar o que ela quer desta vez. Mas quando o poderoso pai de Tara morre, ela parece genuinamente quebrada e se apoia em Ty e sua irmã, Cat, procurando conforto e força. Logo, Tara está de volta à terra e em suas vidas, e nada é o mesmo.

Capítulo Um

O oceano ondulado de grama era como o ouro sob um forte sol de verão. A faixa de terra que cortava uma linha reta através do coração do que era uma pequena parte das milhas e milhas de estradas privadas que cruzavam o império pecuário de Calder Cattle Company, que era mais conhecido em Montana como o Rancho Triplo C.
Era uma terra que poderia ser abundante ou brutal, uma terra que não se inclinava para a vontade de ninguém, uma terra que eliminando os fracos e fracos de coração, tolerava apenas os mais fortes.
Ninguém sabia disso melhor do que Chase Benteen Calder, o patriarca atual do Triplo C. e um descendente direto do primeiro Calder, seu homônimo, que reivindicara quase seiscentas milhas quadradas daquela pastagem. 
Seu tamanho nunca fora algo do qual Chase Calder deixasse de se gabar; a maneira como olhavam para ele, sendo o maior, todo mundo já sabia, e se não o soubesse, ele logo lhes contaria. E o conhecimento tinha mais peso se ele não fosse o único a fazer a narração.
Para alguns, a enormidade do Triplo C. era uma coisa que provocava rancor. Os acontecimentos das últimas semanas eram prova disso. O frescor da lembrança se representava na sugestão de severidade em sua expressão quando Chase dirigia a picape do rancho ao longo da estrada bem batida, deixando um rastro de poeira para trás. Mas o passado não era algo que Chase permitisse tomar conta de sua mente. Executar uma operação daquela dimensão exigia necessariamente toda a atenção de um homem. Mesmo o menor detalhe tinha a capacidade de se tornar imenso se fosse ignorado. Aquela terra e uma longa vida tinham lhe ensinado tudo e mais, muito mais.
Foi provavelmente por isso que seus olhos penetrantes avistaram o fio de arame frouxo causado por um poste de cerca inclinado.
Chase freou a picape para uma parada, mas não antes do recolhimento ruidoso ao longo de um guarda de gado de metal. Ele deu uma ré até o guarda de gado, parou e desligou o motor.
Toda a força dos raios do sol batiam sobre ele quando Chase saiu da picape, mais velho e mais pesado, mas ainda um homem robusto e poderosamente constituído.
Os mais de sessenta anos que ele carregava tinham tomado um pouco da juventude de seus passos e acrescentara uma dose pesada de cinzas aos seus cabelos; os vincos estavam mais profundamente sulcados na pele maltratada pelo sol em torno de seus olhos e boca, dando um crestado para seu rosto, mas não diminuíra a marca da autoridade estampada em suas feições magras.
Voltando-se para a picape, Chase pegou um par de luvas de couro, de trabalho pesado, usadas fora da sede e se dirigiu para a seção da cerca frouxa em seis postes da estrada. 
Nunca ocorria a Chase solicitar alguém do rancho para corrigir o problema. Com as distâncias enormes que existiam no Triplo C., aquela seria a forma mais rápida de transformar um trabalho de quinze minutos em um de duas horas.
Com cada passo que dava a frágil, grama ressecada pelo sol estalava sob os pés. Suas hastes eram curtas e emaranhadas como esteiras perto do chão. Um tipo de grama de búfalo nativa, tolerante à seca e altamente nutritiva, o tipo de alimentação onde era possível colocar o peso dos bovinos e fora sempre um dos pilares do sucesso do Triplo C. por mais de cem anos.


Série Saga Família Cald.
1  Os Donos da Terra
2  A Terra dos Calder
3  A Luta pela Terra
4  O Amor pela Terra
5- O Orgulho Calder
6- A Grama Verde dos Calder
7- A Mudança do Vento Calder