quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Votos Entrelaçados

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Por tempo limitado?

Famoso no mundo das artes, Aiden Blackstone havia conseguido fugir de seus piores pesadelos.
Até ser obrigado pelo avô a fazer exatamente o que tentara evitar: voltar para sua cidade natal e se casar.
Contudo, ele logo percebe que Christina Reece não seria apenas uma noiva de conveniência.
Ela sabe que a única maneira de fazer com que esse casamento ultrapasse o tempo que foi acordado é convencendo o sensual marido a abrir seu coração... antes que seja tarde demais.
Pois há um inimigo à solta, ameaçando destruir tudo o que ela ama, incluindo essa nova paixão.

Capítulo Um

Aiden Blackstone reprimiu um arrepio que nada tinha a ver com a tempestade vespertina que caía. Por um instante, ficou imóvel, fitando os elaborados entalhes na pesada porta de carvalho diante de si. Uma porta que ele se prometera jamais cruzar novamente... pelo menos não enquanto o avô ainda estivesse vivo.
Eu deveria ter vindo, mãe, apenas para vê-la.
Mas ele jurara jamais se permitir ser trancado outra vez no interior da Blackstone Manor. Achara que teria todo o tempo do mundo para compensar a mãe por sua ausência. Na ignorância de sua juventude, não se dera conta de tudo de que abrira mão com sua promessa. Agora, estava de volta para honrar outro juramento... a promessa de cuidar da mãe.
A simples ideia já lhe deu um frio na barriga. Inspirando fundo, levou a mão à antiga aldrava de ferro, em forma de cabeça de urso. Procurou se tranquilizar, lembrando-se de que não ficaria ali muito tempo... apenas o necessário.
Voltando a bater, tentou escutar o som de passos do outro lado da porta. Não era um lar quando era necessário esperar que alguém atendesse. Fora embora com a certeza de que provinha apenas da inexperiente juventude. Agora, retornava um homem diferente. Um sucesso em seus próprios termos. Apenas não teria a satisfação de esfregar isso na cara do avô.
Pois James Blackstone estava morto.
A porta abriu-se para dentro com um profundo rangido. Um homem alto, de postura ainda imponente, apesar do cabelo grisalho ralo, piscou várias vezes, sem saber se podia confiar nos próprios olhos. Embora houvesse saído de casa em seu 18° aniversário, Aiden reconheceu Nolen, o mordomo da família.
— Ah, patrão Aiden. Estávamos à sua espera.
— Obrigado.
Ainda estudando seu rosto, o homem abriu ainda mais a porta, permitindo a entrada de Aiden e de sua bagagem.
— Já faz um bom tempo, patrão Aiden — falou o homem mais velho, após fechar a porta, deixando a chuva torrencial do lado de fora.
Aiden buscou condenação nas feições do homem mais velho, porém nada encontrou.
— Por favor, deixe a sua bagagem aqui. Eu a levarei para o seu quarto, assim que Marie o tiver aprontado.
Quer dizer que a governanta, a mesma que assou biscoitos para ele e para os irmãos enquanto sofriam com a perda do pai, também ainda estava ali. Diziam que nada mudava em cidades pequenas. E tinham razão.
Aiden passou os olhos pelo salão de entrada, também o encontrando igual a antes de sua partida. A única anormalidade foi a ausência de um retrato de seus pais, dele próprio, aos 15 anos de idade, e dos gêmeos caçulas, um ano antes da morte do seu pai.
Depositando no chão a mochila de lona e a valise do laptop, ele seguiu Nolen até a galeria central da casa, onde havia uma enorme escadaria. O som de seus passos ecoou pelos corredores, como se o lugar estivesse vazio, abandonado.
Mas sua mãe estava ali em algum lugar. Provavelmente ainda em seus antigos aposentos. Aiden não queria pensar nela, e em como a condição a deixava indefesa. Isso sem falar na impotência que ele sentia. Já fazia tanto tempo desde a última vez em que escutara sua voz ao telefone, pouco antes de seu derrame, dois anos atrás. Após o acidente de carro tornar as viagens complicadas para ela, a mãe de Aiden ligara para ele uma vez por semana, sempre que James não estava em casa. A última vez que vira o número de Blackstone Manor no identificador de chamadas fora o irmão para lhe dizer que a mãe sofrera um derrame, decorrente de complicações provocadas pela paralisia. Desde então, apenas silêncio.
Para a surpresa de Aiden, Nolen seguira direto para a escadaria, o corrimão de carvalho reluzindo mesmo sob a iluminação fraca, como se houvesse acabado de ser lustrado. A maioria das reuniões formais na casa costumava acontecer no gabinete do avô, onde Aiden presumira que iria encontrar o advogado. Por ele, iria direto aos negócios.
— O advogado cansou-se de me esperar?

Etiqueta de Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Amantes e rivais!

Na época de escola, Ava Brenner era a garota popular que atormentava os dias de Peyton Moss. 
Porém, agora tudo mudou. 
Ele está prestes a ganhar o seu primeiro bilhão enquanto a vida de Ava ficou bem mais simplória. Peyton precisa que ela o ajude a entrar na alta sociedade. 
Para isso, ambos terão de superar a antiga rivalidade... E não demora muito para que passem de inimigos a amantes. 
Mas será que Peyton ainda irá desejá-la quando descobrir o escândalo que mudou o mundo de Ava por completo?

Capítulo Um

T. S. Elliot tinha razão, Ava Brenner pensou, ao apressar o passo descendo Michigan Avenue e refugiando-se sob o toldo de uma loja. Abril realmente era o mais cruel dos meses. No dia anterior, o céu sobre Chicago estava azul e límpido, e as temperaturas na casa dos quinze graus. Hoje, nuvens acinzentadas despejavam chuva congelante sobre a cidade. 
Ela protegeu a cabeça com o cachecol. Sabia que a chuva arruinaria a seda cor de esmeralda, mas estava a caminho de um encontro com um vendedor em potencial, e preferia substituir um lenço estragado a arruinar o penteado.
Imagem era tudo. Fora uma lição incessantemente repetida quando Ava ainda estava na escola. Abril não era a única coisa cruel. Garotas adolescentes podiam ser brutais. Ainda mais o tipo rico, egoísta e superficial encontrado em sofisticadas escolas particulares que usavam apenas a última moda e faziam pouco dos estudantes bolsistas que se viravam com liquidações em lojas de departamento.
Ava deixou de lado o pensamento. 
Uma década e meia a separava da formatura. Era dona de seu próprio negócio agora, uma butique de aluguel de roupas chamada Talk of the Town, que atendia com alta costura mulheres que queriam apenas o melhor para as ocasiões especiais da vida. Embora a loja ainda estivesse funcionando muito na base da improvisação, estava começando a dar sinais de lucro. Pelo menos ela parecia uma mulher de negócios bem-sucedida.
 Ninguém tinha de saber que era sua própria melhor cliente. Tirou o lenço da cabeça e o enfiou no bolso do sobretudo ao adentrar no elegante restaurante.
Ao aproximar-se da recepção, seu celular tocou. 
Era o vendedor que ela deveria encontrar, pedindo para adiar a reunião para uma noite mais adiante na semana. De modo que Ava jantaria a sós hoje à noite. Como de costume. Ainda assim, havia muito tempo que não tinha a oportunidade de sair e estivera trabalhando para valer este mês. Merecia um mimo.
Basílio, o dono do restaurante, a cumprimentou pelo nome com um caloroso sorriso. Cada vez que o via, Ava lembrava-se do pai. Basílio tinha os mesmos olhos escuros, os cabelos grisalhos e o bigode bem cuidado. Contudo, tinha quase certeza de que, ao contrário do pai dela, Basílio jamais cumprira pena em uma prisão federal.
Sem nem verificar o mapa dos assentos, ele conduziu Ava até sua mesa preferida, perto da janela, onde ela poderia observar os transeuntes enquanto jantava. 
Contudo, ao erguer o cardápio, sua atenção foi chamada para um tumulto perto do bar. Ao erguer a cabeça, viu Dennis, o seu barman favorito, sendo importunado por um cliente, um homem alto, de ombros largos e cabelos negros como carvão. Era óbvio que ficara ofendido coma sugestão de Dennis de que bebera demais, uma condição que, francamente, estava evidente.
— Estou bem — o homem insistiu. Embora as palavras não estivessem arrastadas, a voz estava um pouco mais alta do que o necessário. — E quero outro Macallan. Sem gelo.
— Mas, senhor...
— Agora! — o homem rugiu.
 

Série Os Irmãos Castelli

1- Sentimentos Mascarados
ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Uma nova chance?

Após um acidente de carro, Lily Holloway foi embora e deixou para trás a paixão proibida que viveu com Rafael Castelli. 
Cinco anos depois, quando seus caminhos se cruzam novamente, ela fica desesperada para manter sua liberdade e finge sofrer de amnésia, negando ter qualquer lembrança de Rafael. 
Contudo, essa mentira é rapidamente consumida pelo intenso desejo que sentem. 
Agora que se reencontraram, Lily sabe que é apenas questão de tempo para que Rafael descubra o seu maior segredo: o filho que tiveram.

2- Sentimentos Ocultos





Anjo ou pecadora?

O magnata Luca Castelli acha que sabe tudo sobre a viúva de seu pai, Katheryn. E não se deixará enganar pelos elogios dos tabloides. 
Para ele, essa jovem estonteante não é nenhuma santa! 
E quando uma cláusula do testamento o obriga a se tornar chefe de Katheryn, Luca decide testar seus limites. 
Contudo, ela se mostra à altura do desafio, fazendo com que a mistura entre o ódio e o desejo que sentem um pelo outro fique ainda mais perigosa. Até Luca descobrir que a inocência de Katheryn é bem maior do que ele imaginara...

Série Os Irmãos Castelli
1- Sentimentos Mascarados
2- Sentimentos Ocultos
Série Concluída



Lua de Mel em Hon Kong

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Os raios de sol invadiam a capela pelos vitrais, formando um caleidoscópio no tapete vermelho, por onde May seguia, rumo ao altar. 

Seus olhos encontraram os de André Davison, seu noivo. 
No rosto másculo, uma expressão segura e dominadora. 
May tinha certeza de que André estava se casando com ela apenas para puni-la por ter ousado se apaixonar por outro homem! 
Pretendia acorrentá-la numa prisão de ouro, onde não existia a palavra amor. 
May quis fugir, mas teve consciência apenas de uma mão que segurava a sua e lhe colocava a aliança de diamantes!

Capítulo Um

A festa de aniversário de Rhoda estava no auge quando May chegou na casa de campo dos Rayburn. Depois de agradecer a Michael Brent e a sua esposa Sue, que lhe deram condução aceitou uma taça de champanhe das mãos de um criado e foi ao salão de baile. 
Usava um vestido de chiffon cinzento, de mangas bufantes e saia rodada. Um cinto dourado consistia no único enfeite. As sandálias eram também cinzentas e a pequena bolsa tinha como alça uma corrente dourada. Alta e magra, com cabelos loiros ondulados que caíam até os ombros, May fez sua entrada com uma graça espontânea, caminhando entre os grupos que conversavam e riam. Parava de vez em quando para dirigir uma ou outra palavra a algum conhecido. Apesar de sorridente, parecendo à vontade, estava tensa. 
Não desejara ir à festa. Só queria que tudo terminasse logo e Philip ficasse livre. Havia uma razão forte para sua relutância em comparecer. André Davison, primo de Rhoda, estaria presente, e ela não queria encontra-lo. Preferia que o rapaz estivesse bem longe, em Hong Kong talvez. Sendo mais velho que Rhoda, May imaginara-o um homem de meia-idade, calvo, com o ventre dilatado. Porém constatara exatamente o oposto. 
Lembrava-se bem do dia em que o conhecera. Ele entrou em seu escritório e Janet, a recepcionista, ergueu a cabeça e arregalou os olhos. May sentiu um tremor percorrer-lhe o corpo e, de súbito, um estranho inesperado antagonismo surgiu. André Davison, banqueiro riquíssimo, tinha um metro e noventa de altura, ombros largos, pele dourada, olhos verdes como jade, sobrancelhas bem arqueadas, lábios provocantes. No mesmo momento May resolveu deixar que Janet se entendesse com a inquietante visita e continuou examinando alguns papéis. Numa dada hora, levantou a cabeça e enxergou o rosto atraente do homem junto ao seu. 
Meu nome é André Davison - disse ele num tom de voz intencional de pessoa que não quer ser ignorada. -- André Davison! - May repetiu, achando que ele assemelhava-se mais a um colecionador de antiguidades que a um banqueiro. Philip apareceu logo, desculpando-se por tê-lo feito esperar. E, antes de se dirigir à sala particular de Philip, o banqueiro sorriu maliciosamente para May e retirou-se. Daquele dia em diante, em outros encontros, a presença de André perturbava, destruindo sua calma, deixando-a num estado de completa confusão. 
Para o gosto de May ele era dominador demais, seguro demais de sua influência sobre as mulheres. Cada vez que se encontravam, uma chama se acendia nos frios olhos verdes de André, parecendo que, mentalmente, fazia amor com ela. Por isso, ela detestava o efeito ele lhe causava. o modo como seu corpo reagia a ele, May procurava evitá-lo. Contudo, ao tentar uma desculpa para não ir à festa daquela noite, seu pai lhe dissera, com determinação: -- Não seja tola, menina, é claro que deve ir. May resolveu então obedecer o pai. 
Ás vezes, mesmo por motivos fúteis, James Fielding explodia ao ser contrariado e, após seu recente infarto, May receava irritá-lo. -- Rhoda ficará ofendida se você não for - ele acrescentou, dando o assunto por encerrado. “Ofendida?” refletiu May. “Aliviada, isso sim!” Embora disfarçasse em público, Rhoda nutria grande antipatia por May. Tão logo entrou no salão, May lançou um olhar ao redor, na esperança de ver Philip. Mas... 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sintonia de Corações

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Rose Cottage

Uma receita apaixonante!

Pegue uma dose de Maggie D’Angelo, a crítica culinária que nunca teve um relacionamento sério, e adicione Rick Flannery, um lindo fotógrafo determinado a seduzi-la. 
Misture tudo e acrescente irmãs intrometidas que acham que ele é o homem perfeito para apimentar a vida de Maggie. 
Apesar da reputação dele ter deixado um gosto amargo na boca de Maggie, o que sentem um pelo outro é muito mais do que apenas atração. 
Ela teme que essa receita desande e faça uma verdadeira bagunça em seu mundo metódico. 
Contudo, Rick está disposto a correr o risco para conseguir o resultado mais delicioso de todos: a conquista do verdadeiro amor!

Capítulo Um

Rick emergiu de seu laboratório de fotografia às 3h da manhã, exausto, mas satisfeito com o dia de trabalho. As fotos para a revista Cityside de Boston ficaram espetaculares. Maggie ficaria eufórica quando as visse. 
Se não fosse tão tarde, lhe telefonaria e levaria as fotos ao apartamento dela naquele momento, para que ela pudesse ver com os próprios olhos o quanto o inspirara e o excelente trabalho conjunto que fizeram em seu primeiro ensaio fotográfico que não envolvia modelos vivos. 
Sentia-se tão orgulhoso daquelas fotos quanto das que costumavam lhe render prêmios em exposições de moda. Fora divertido experimentar algo novo. E mais interessante ainda ter conhecido Maggie D’Angelo.
Rick amara o ninho aconchegante em que ela transformara aquele loft com teto elevado. Ela o decorara com estofados e tecidos sensuais que combinavam com sua personalidade passional. Os dois haviam feito sexo tão explosivo quanto fogos de artifício na ampla cama com lençóis de cetim e travesseiros de plumas. O simples pensamento o deixava excitado.
Não esta noite, espertinho, disse Rick a si mesmo. Duvidava que sequer conseguisse reunir energia para dirigir pela cidade, quanto mais ser capaz de pôr em prática os pensamentos eróticos que lhe povoavam a mente no momento.
No dia seguinte, teria sua cota da mulher que o levava à loucura na cama e em seguida lhe preparava uma refeição inesquecível.
Maggie era uma escritora gourmet que conhecia a fundo a arte da cozinha experimental.
Além disso, tinha uma boca capaz de tirar qualquer homem do sério. Não. Não era bem nesse sentido. Maggie era capaz de expressar opinião sobre qualquer assunto. Às vezes, Rick concordava com ela, mas com muita frequência discordava e até mesmo aquela divergência servira para alimentar interessantes discussões na cama. 
Rick nunca imaginara o afrodisíaco potente que uma conversa estimulante poderia ser. E servia para dar credibilidade ao pensamento de que o sexo de qualidade começava mais na cabeça do homem do que em outras partes de sua anatomia.
Um sorriso lhe curvou os lábios, enquanto relembrava a última discussão acalorada que tiveram e que os levara a outra atividade ainda mais quente.
Droga! Fazia quase uma semana que não a via e, ao que parecia, o corpo estivera contando os minutos para vê-la. Tinha de desviar a mente de Maggie e se concentrar em algo mais sereno; do contrário, não conseguiria dormir um minuto sequer naquela noite.
A única vantagem naquele ritmo exigente de vida era que ele se treinara a dormir a qualquer hora ou lugar — como nas últimas cinco noites em que conseguira apenas se arrastar até a cama portátil que mantinha no quarto dos fundos do estúdio de fotografia para ocasiões, como aquela, em que trabalhava até tarde e acabava caindo no sono em questão de segundos.
Infelizmente, Maggie lhe invadiu os sonhos, tornando-lhe o sono agitado. Por esse motivo, Rick se encontrava ainda mais irritado quando entrou no escritório dela logo pela manhã, com um enorme copo descartável do café com leite que ela mais gostava, apenas para descobrir que Maggie viajara para algum lugar desconhecido.
— Mas eu estou aqui. — Veronica se ofereceu com mais generosidade do que seria sensato, adejando os cílios que pareciam carregados com quatro camadas de rímel. — Talvez possa ajudá-lo.
As últimas palavras soaram recheadas de intenções inconfundíveis, mas Rick se esquivou da oferta. — Maggie costuma desaparecer desse jeito? 


Série Rose Cottage
1- O Chalé das Promessas
2- Sintonia de Corações
3- Leis da atração - a revisar
*4- For the love of Pete
Baixar em Séries

*não publicado no Brasil

Jogo de Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
O vencedor leva tudo...

Quando Sara descobriu que o noivo a traía com sua prima, ela se sentiu duplamente traída. 

Como por milagre Alex Rossini, seu chefe, esta pronto a ajuda-la a se recompor do choque. 
Entretanto, Sara nunca vira Alex fazer alguma coisa, sem esperar outra em troca. 
Se Sara desejava aceitar a ajuda que Alex lhe propunha,tinha de estar consciente de que teria de jogar de acordo com as regras impostas por ele...e pagar o preço!

Capítulo Um

— A srta. Dalton pediu para você voltar para casa imediatamente. Disse que era urgente! — a telefonista do escritório falou, ofegante. — Espero que não sejam más notícias, srta. Lacey. Ela nem me esperou passar a ligação. Bateu o telefone.
Sara Lacey pagou o táxi e subiu depressa a escada do apartamento que dividia com Antônia Dalton. Teriam sido roubadas? Algum membro da família teria sofrido um acidente? Pior ainda, teria acontecido alguma coisa com Brian?
Sua imaginação criara as mais diversas situações desde que recebera o recado de Antônia.
Atravessou o corredor com o coração disparado e abriu a porta do apartamento. Assim que entrou, ficou desorientada com o som alto. O mais recente disco de Phill Collins tocava no último volume. Um sapato azul, de salto alto, estava jogado no carpete.
— Antônia? — Sara chamou, preocupada, relanceando o olhar pela sala. A porta do quarto estava parcialmente aberta. Com medo de encontrar um ladrão, empurrou-a com cuidado. — Antônia? — chamou mais uma vez.
Só então percebeu o casal seminu que se abraçava e se beijava sobre a cama desarrumada.
— Sara? — a prima gritou, assustada. Sentou-se de chofre. O cabelo cor de mel caía desalinhado pelo rosto e os olhos azuis arregalaram-se de horror.
Envergonhada e arrependida de ter entrado no quarto, Sara ia sair quando seu olhar pousou na cama. Então ficou paralisada. Descobrir a identidade do acompanhante de sua prima foi como um soco no estômago. Sentiu como se dedos cruéis esmagassem seu coração e pulmões, impedindo-a de respirar.
— Oh, não! — Brian gemeu, agarrando a camisa e pulando da cama com expressão desolada.
Antônia procurava sua blusa no meio dos travesseiros.
— Por que não está no trabalho? — perguntou Antônia, aos gritos.
— Você telefonou! Deixou um recado para eu voltar com urgência! — A voz de Sara tremia.
— Eu telefonei? Ficou louca? — Antônia continuou furiosa. — Pode ter certeza de que eu seria a última pessoa a telefonar!
— Tônia, você é uma sem-vergonha! — Brian acusou com raiva. — Armou tudo de caso pensado!
— Não seja estúpido! — Antônia retrucou. Então, um ar de desafio petulante substituiu a expressão de desconforto. Ela pousou os olhos maliciosos em Sara, que mal podia se manter em pé. — Eu avisei para você que Brian era meu, não avisei?
— Não! — a voz de Brian saiu esganiçada e ele enfrentou os olhos verdes de Sara.
Notou a dor estampada no rosto pálido. Fez menção de se aproximar, as duas mãos estendidas como se quisesse abraçá-la.
— Isso nunca aconteceu antes, Sara. Eu juro!
Ela virou as costas e saiu correndo do apartamento. Desceu a escada de dois em dois degraus e quase caiu no último lance. No percurso, os chamados frenéticos de Brian martelavam-lhe os ouvidos.
Sem lhe dar atenção, encostou-se na parede e tomou fôlego. O ar entrava e saía de seus pulmões aos borbotões. Quando conseguiu firmar o corpo, saiu para a rua. Antônia e Brian. Brian e Antônia. Sara olhou para a aliança de noivado como se a visse através de uma névoa. Sentiu uma forte náusea.
Faltavam apenas seis semanas para o casamento... e ela flagrava sua prima e seu noivo na cama!





Minissérie Fada Madrinha - Três Fadas Madrinhas trapalhonas envolvidas com casamentos!

1-Sexy demais para Casar



Sexy demais para ele...

O "Solteiro Mais Sexy de Chicago", Jason Knight, é um promotor público de sucesso, não um garoto-propaganda! 
Porém, as mulheres estão sempre atrás dele, até mesmo no tribunal. 
Ainda assim, Jason pretende manter o controle de sua vida. Até Heather Grayson sacudir seu mundo.
Sexy demais para ela...
A simpática apresentadora do programa de rádio Amor no Ar, Heather Grayson, aceita uma aposta estúpida: tentar seduzir o sexy Jason. Grande erro! Porque sua sedução dá certo demais...


2- Teimoso demais para Casar





Calma recatada? Alguma coisa está errada.

Onde estava a mulher que o agente U.S. Marshal Ryan Knight um dia amara? Courtney Delaney era o sonho de todo homem: ousada, bonita e passional. 

Para ela a aventura deveria nortear sua vida e a de seu companheiro. Mas agora ela queria um marido e filhos, tudo bem planejado. 
Lá se fora sua espontaneidade, a atração por emoções... e seu desejo por Ryan. Courtney gostava da tranquilidade que conhecera ao lado de seu bem-sucedido chefe. Com ele, seu coração ficava a salvo de novos sobressaltos. Mas Ryan voltara e fizera ressurgir antigos sentimentos já adormecidos. 
Apaixonara-se por uma Courtney diferente no passado e seu desejo insaciado a queria novamente!

3- Esperta Demais Para Casar



Será que os dois eram espertos?

Anastasia Knight nem pensava em se apaixonar por David Sullivan. Afinal, ele a julgara capaz de ludibriar sua doce avó! 

Se havia alguém merecedor de acusações era o próprio David, pois ele passava pouco tempo com a adorável senhora. 
Anastasia daria um jeito naquela situação. 
Ensinaria ao sr. Sullivan, um homem viciado em trabalhar, o valor da diversão. 
O problema era que Anastasia estava se divertindo demais com a presença dele em sua vida. Ela e David juntos? Casados? Jamais! Ambos eram espertos demais para aquilo...

Minissérie Fada Madrinha 
1- Sexy Demais para Casar 
2- Teimoso Demais para Casar 
3- Esperta Demais para Casar 
Série Concluída

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Jura de Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Playboys da Sicilia
Buscando o seu lugar no mundo e encontrando o amor!

Uma proposta ousada!
Oito anos atrás, a reputação e o orgulho de Sophie Durante foram destruídos pelo magnata Luka Cavaliere. Agora ela está de volta para cobrar essa dívida! 

A fim de acalmar o pai doente, Shophie pede que Luka finja ser seu noivo. 
Foi preciso apenas uma pequena amostra da mulher audaciosa que ela esconde por trás da fachada fria para Luka perceber que essa encenação poderia ser bastante prazerosa. 
Então, aceita participar. Contudo, ele deixa bem claro que casamento estava fora de cogitação... até descobrir o quanto a deseja!

Capítulo Um

— Feliz aniversário amanhã!
Sophie sorriu enquanto Bella tirava da bolsa um embrulho em papel de presente.
— Posso abrir agora? — interrogou Sophie.
Já sabia o que era... um vestido para sua festa de noivado na semana seguinte. Conquanto trabalhassem como arrumadeiras, Bella era uma costureira talentosa, e Sophie passara as últimas duas semanas fazendo provas com folhas de papel espetadas em seu corpo. Estava ansiosa para ver o resultado final. Bella mantivera segredo e Sophie nem sabia qual a cor do vestido.
— Não abra aqui — advertiu Bella balançando a cabeça. — Espere chegar a casa. Não vai querer sujar de areia.
Trabalhando exaustivamente no Brezza Oceana Hotel, sempre que podiam as duas descansavam na sua caverna secreta. Não era de fato secreta, mas ficava escondida atrás de penhascos pontiagudos e não podia ser vista do hotel. Os turistas ignoravam a existência do lugar, pois a pequena praia era apenas acessível por um atalho que só os nativos de Bordo Del Cielo conheciam. Quando o hotel fora construído para aborrecimento dos habitantes de Bordo Del Cielo, era ali que Sophie e Bella iam após a escola. No momento, mesmo trabalhando juntas quase todos os dias, a tradição permanecia.
Ali, onde ninguém podia ouvi-las, se sentavam com as pernas na água azul, conversando sobre seus sonhos e medos... Mas não todos os seus medos.
Bordo Del Cielo era uma cidade de segredos e algumas coisas eram perigosas demais para serem discutidas até com amigos íntimos.
— Agora poderei fazer meu próprio vestido — comunicou Bella.
— Como será?
— Cinza. Muito simples e sofisticado. Quem sabe então Matteo irá me notar...
Sophie riu. Matteo era o melhor amigo de Luka e a paixão de Bella há anos, todavia, jamais a levara a sério.
— Deve estar animada — comentou Bella.
— Claro que estou. — Entretanto, o sorriso que Sophie sempre esboçava quando se falava do noivado dessa vez morreu entre lágrimas.
— Sophie? Conte o que está acontecendo.
— Não posso.
— Está preocupada com...? Dormir com ele? Talvez ele espere isso quando ficarem noivos, porém pode dizer que deseja aguardar a noite de núpcias.
Dessa vez Sophie riu de verdade.
— Essa é a única coisa que não me preocupa, Bella.
E era verdade.
Oh, não via Luka há anos, mas continuara apaixonada. O pai viúvo de Luka era rico; Malvolio possuía o hotel e quase todos os negócios e casas da cidade. E do que não possuía, recebia pagamento para proteger. Quando a mãe de Luka morrera, em vez de criar o filho como o pai de Sophie a criara, Malvolio o enviara para um internato no continente, e a cada verão que retornava, Sophie o achava ainda mais lindo.
— Estou louca para rever Luka.
— Lembra-se de como chorou quando ele partiu?
— Tinha 14 anos — replicou Sophie. — Amanhã farei 19...
— Lembra-se de quando tentou beijá-lo? — Bella riu, e Sophie se encolheu.
— Luka argumentou que eu era muito criança. Creio que na ocasião ele tinha 20 anos. — Sophie sorriu ao se lembrar do constrangimento dele ao arrancá-la do seu colo. — Ordenou-me esperar.
— E você esperou.
— Mas ele não — falou Sophie com amargura. Luka tinha reputação de mulherengo. — Naquele tempo já pulava de cama em cama.
— E isso a aborrece?
— Sim, mas...


Série Playboys da Sicilia
1- Jura de Desejo
2- Liberdade para Amar
Série Concluída

Corações Fortes

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
A escolha perfeita?

Depois de ter sido usado e abandonado pela mulher que acreditava amar, o bilionário Blair Coleman abriu mão de sua vida social. 
A única pessoa na qual ele realmente confia é Niki Ashton, filha de seu melhor amigo.
Blair é forte, cabeça-dura e apaixonante. E são exatamente essas qualidades que o fazem ser o homem dos sonhos de Niki. 
Porém, sempre que ela tentava se aproximar, Blair se afastava. Foi preciso um trágico acidente para que ele se livrasse de suas ressalvas. 
Agora, Blair está disposto a tudo: casamento, filhos e “felizes para sempre”. Mas será que não é tarde demais?

Capítulo Um

O pai de Nicolette Ashton sempre tentava estimulá-la a sair com rapazes. A filha se interessava mais por formações rochosas do que por homens. Era uma jovem introvertida, tímida e reservada diante de desconhecidos. O rosto gracioso, cor de pêssego, era emoldurado por um cabelo longo, platinado e macio. Os olhos tinham a tonalidade de uma manhã nebulosa de setembro. A estrutura corporal era igualmente bela. Mas Nicolette se recusava a namorar. Havia um homem em sua vida. Faltava apenas ele saber. 

O príncipe que lhe povoava os sonhos a considerava muito jovem, mas isso não a impedia de suspirar por ele.  E por esse motivo, Nicolette continuava solitária. Até então, conseguira evitar sair com rapazes enquanto cursava a faculdade, divertindo-se apenas com as amigas. Mas elas viviam a aconselhando a se envolver com homens. 
Insistiam que Nicolette precisava deixar o casulo, sair para o mundo e namorar alguém. As amigas tinham boa intenção. Talvez devesse mesmo sair para se divertir com mais frequência. Afinal, o objeto de sua afeição jamais corresponderia aos seus sentimentos.
Portanto, quando se aproximava o fim do semestre, as amigas lhe marcaram um encontro com um dos estudantes. Ela não o conhecia. O rapaz não era de Catelow, Wyoming, onde Nicolette vivia com o pai, em uma fazenda de gado, mas, sim, de Billings, Montana, onde ficava a faculdade. No momento, ela desejava nunca ter concordado com aquele encontro às cegas.
O rapaz se mostrou descortês e até mesmo rude, quando ela insistiu para que a levasse para casa, em vez de concordar em ir para o apartamento dele. A fazenda não ficava distante dali. Apenas a vinte minutos de carro. Mas Niki sabia o que aconteceria se concordasse em ir para o apartamento do universitário. Por mais antiquada que parecesse entre suas amigas na faculdade, recusava-se a imitar o comportamento delas. Harvey, o rapaz com quem saíra, parecia não admitir que uma garota pudesse resistir às suas investidas. Afinal, além de belo, era o astro do futebol da faculdade e acostumado ao assédio feminino. Mas Niki não estava interessada.
— Deve estar louca — resmungou o jovem Harvey, enquanto cruzava em alta velocidade o caminho que levava aos degraus da frente da enorme mansão vitoriana. — Não existe nenhuma mulher neste país que não vá para a cama com um homem, pelo amor de Deus!
— Há algumas. Eu sou uma delas — retrucou Nicolette. — Concordei em jantar com você. Nada mais.
Harvey deixou escapar um ronco raivoso da garganta, enquanto estacionava e a estudava sob o reflexo das luzes da varanda da frente.
— Seu pai está em casa? — perguntou.
— Ainda não — respondeu ela, sem pensar. — Ele foi a uma reunião de negócios, mas um amigo dele está vindo passar alguns dias aqui. Deve chegar a qualquer minuto. — Uma mentira calculada. De fato, existia um amigo, chamado Blair Coleman, dono de uma empresa petrolífera multinacional. Niki o via de vez em quando, nas ocasiões em que ele visitava o pai. Na verdade, nutria uma paixão ardente por aquele homem desde os 17 anos, mas o amigo do pai a tratava como uma criança. Blair Coleman chegaria, ela só não sabia a que horas.
— Tenho de entrar — acrescentou.
— Eu a acompanho até a porta — ofereceu ele. Harvey chegou até mesmo a contornar o carro para lhe abrir a porta. Havia uma intenção velada no olhar do jovem, mas Niki se encontrava muito aliviada para notar. Destrancaria a porta, entraria em casa e estaria livre.
— Obrigada — agradeceu ela.
— De nada — respondeu Harvey, com um meio-sorriso arrogante e enigmático.
Quando Niki colocou a chave na fechadura, franziu a testa ao perceber que não precisaria destrancar a porta. Talvez o pai tivesse chegado.
Mas ao girar para se despedir de Harvey, descobriu-se empurrada para dentro. O jovem atleta fechou a porta quando os dois se encontravam no interior da casa.
— Agora... 




Em Busca do Sol Poente

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Para continuar viva, Kit precisava fugir do amor!

Kit olhou para as estrelas que despontavam no céu.
Pensar em Reese Talbot num fim de tarde tão tranquilo era inquietante demais.
Maravilhava-se com o encanto da natureza quando som de passos avisou-a de que não estava mais sozinha. 
Na certa era Reese, o homem que invadira sua vida e parecia enxergar além dos limites que impusera ao mundo.
O homem que conseguira perceber a mulher sensual que ela sempre fizera questão de esconder. E Kit o temia por isso.
 Ninguém a faria mostrar o quanto era carente de afeto e ternura. 
Ninguém. Nem mesmo Reese Talbot, o conde de Danbury!

Capítulo Um

Kit Bonner passou por cima de um monte de neve que o vento empilhara no caminho que levava à porta de casa e suspirou. O céu estava coberto por nuvens cinzentas e a temperatura era tão baixa que ela sentia todos os músculos retesados.
Na varanda, sacudiu a neve das botas e olhou a paisagem desolada. Seus lábios pareciam congelados, e um amortecimento se espalhava por todo o corpo apesar das roupas que usava por baixo da calça de brim e do casaco de lã.
Mas Kit não se apressou a entrar na casa incrustada na encosta da montanha. Sua atenção estava voltada para a escuridão ameaçadora do céu, ao mesmo tempo em que se perguntava se aquela tempestade seria muito forte e se o gado nas pastagens a suportaria bem.
De repente um cavalo relinchou perto dos estábulos, atraindo-lhe a atenção. O animal estava com a cabeça apoiada na cerca do curral. Lew Simpson, um dos empregados da fazenda, se afastava com o chapéu bem enterrado na cabeça e o corpo inclinado para a frente a fim de se proteger do vento. Seu destino era o velho alojamento dos empregados, onde uma fumaça acolhedora saía da chaminé.
O olhar de Kit continuou a vagar em vão até que se deteve na estrutura da casa principal da fazenda. Desde que se conhecia por gente aquela construção era chamada de Casa Grande. Do topo da colina a velha casa oferecia uma vista extensa da região agreste da Dakota do Norte. Porém, não saía fumaça de suas chaminés nem luz de suas janelas. Estava vazia, com as portas e janelas trancadas.
A Casa Grande, abandonada, provocou-lhe arrepios e Kit comprimiu os lábios com força. Num impulso abriu a porta, entrou e fechou-a bruscamente, descalçando as grossas luvas de couro com movimentos nervosos.
— É você, Kit? — perguntou uma voz da sala de estar que ficava além da pequena cozinha.
— Sim. — Ela retirou o cachecol de lã que enrolara em volta do pescoço e o surrado chapéu de vaqueiro.
— Acabei de ouvir pelo rádio que vão transmitir notificações dos criadores.
— Sim, eu sei. — Kit não olhou para o avô enquanto pendurava o cachecol num gancho e desabotoava o casaco.
— Conversei com Sam McKenna hoje e pedi para que lançasse, por avião, um pouco de alfafa para as reses que Lew e Frank não conseguiram alcançar com o carro de neve. — Sua voz soava áspera e mal-humorada.
— Esperava tanto que tivéssemos ventos quentes do sudeste antes que a próxima nevasca chegasse!
— Se tudo acontecesse como a gente deseja.
— Sim, eu sei, Nate — interrompeu ela, impaciente, pendurando também o casaco.
Houve uma pausa antes que o avô perguntasse sem nenhuma reprimenda pela aspereza com que era tratado: — Apanhou a correspondência?
— Está no bolso do casaco. — Com a mão apoiada na parede Kit retirou dos pés as botas cobertas de neve enquanto o avô pegava a correspondência.
— Há alguma coisa em especial? — quis saber ele.
— Acho que só a correspondência de sempre. além de duas revistas.
— Bem, pelo menos teremos alguma coisa para ler se ficarmos presos pela neve.




Meu Amor em Veneza

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

























Capítulo Um

O canal não era fundo, como a maioria, embora tal fato não servisse de consolo para o cavalheiro que se encontrava em meio à lama desagradável e malcheirosa de Veneza. 
Fascinada, Suzy observava as tentativas inúteis do pobre-coitado em sair daquela enrascada. Não ia ser fácil, pois tratava-se justamente de uma parte do sistema de canais que há anos não passava por um processo de limpeza.
De repente Suzy arregalou os belos olhos verdes, horrorizada com a torrente de palavrões que o vento carregou até seus ouvidos. 
Bem de acordo com quem os proferiu, pensou, embora ficasse intrigada com o fato de ele praguejar em inglês. Com o nome e a aparência que tinha, havia imaginado que fosse italiano. Deixando a surpresa de lado, estampou no rosto o sorriso mais ingênuo que era capaz de produzir e encaminhou-se para a sua vítima.
Cuidadosamente, ajeitou o cachecol em torno do rosto, a fim de parecer uma mulher comum e inofensiva. Se agisse com cautela e astúcia, poderia ter a oportunidade de revistar-lhe a carteira.
Percebeu que o peso do próprio corpo o arrastava mais para o fundo, e a longa capa de gângster, completamente ensopada, desempenhava a função de um lastro. 
Para piorar ainda mais a situação, a neve começou a cair pesadamente, cobrindo-lhe os ombros e os cabelos negros.
Erguendo a cabeça para o céu, ele rugiu como um animal enfurecido:
— Socorro!... — Sem perceber a sombra que se aproximava, continuou com a luta inútil e resmungou consigo mesmo: — Meu Deus! Como vou sair daqui? — Então, elevou a voz novamente e gritou a plenos pulmões: — Mi aiutami!
Pobre homem... Suzy precisava ajudá-lo.
— Acalme-se! Já estou indo! — anunciou.
A decepção ficou clara na expressão com que ele a avaliou. Certamente, esperava por alguém maior e mais forte para tirá-lo dali.
— Graças a Deus você fala inglês! Vá buscar ajuda! — ele falou com autoridade, enquanto Suzy o observava com ares de fingida timidez, tomando o cuidado de esconder o rosto nas sombras. — Encontre uma tábua, uma corda e uns dois homens grandes e fortes. Vá depressa!
Ela estava se dando o tempo necessário para avaliar a transformação pela qual ele passara. Afinal, o sujeito passeara por toda Veneza durante os dois últimos dias, parecendo profundamente aborrecido e desanimado, apesar de estarem em meio às festividades de carnaval. Agora, os ombros se apresentavam firmes e empinados, o tórax expandido, e as feições exibiam toda a confiança possível a um homem atolado em um canal até os joelhos.
— Vamos, vá depressa! Estou congelando, aqui! — ele insistiu.
— Está bem. Acha que vai precisar de mais alguma coisa? — Suzy perguntou com honestidade, aproveitando para examiná-lo mais um pouco.
Sim, ele eslava diferente. Exibia traços bem feitos, contornados por uma pele clara e viçosa. O nariz reto e clássico empinava-se desafiante no meio do rosto autoritário. Ninguém questionaria as ordens daquele homem, Suzy concluiu, intrigada. Segundo as informações que obtivera, tratava-se de um vigarista de segunda classe, não um príncipe veneziano!
Com esforço, ele conteve a irritação provocada pela lentidão de Suzy em obedecê-lo.
— Faça qualquer coisa, mas tire-me daqui, por favor — falou com voz sufocada, olhando-a diretamente nos olhos.
Suzy virou-se de imediato, perturbada pelo efeito daquele olhar. Ele parecia envolvido por uma aura que a atraía e a assustava, ao mesmo tempo.
— Vou tentar aquele palácio, ali. Está em reforma, e deve haver uma corda em algum lugar.




Amarga Separação

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Aquele homem queria subjugar Kate mais uma vez!

Jake era bem melhor como amante do que como marido...
Kate olhou para o ex-marido e sentiu um desejo intenso de cair em seus braços, entregar-se inteira à paixão, como não fazia há tanto tempo. 

Naquela noite nada nem ninguém a impediria de fazer amor com Jake, nem mesmo a certeza de que eram inimigos e tinham ideais completamente opostos.
E depois de lhe provar que seu ardor não diminuíra, ela o deixaria de novo, pois sabia que ainda havia um abismo entre os dois.

Capítulo Um

Kate sentia-se feliz enquanto dirigia o pequeno conversível pela rua principal de Woolerton. Tinha sido uma ótima ideia mudar-se de Londres para aquela cidadezinha de Yorkshire. Ela adorava os vales imponentes e as casas de pedra dos vilarejos da região. 
Viera morar ali para trocar de ambiente e quando comprara, em sociedade com sua amiga Margaret Bowes, uma lojinha antiquada, mal podia imaginar que estava iniciando uma carreira de sucesso. Agora, viajava constantemente para Londres e Nova York, onde lojas famosas vendiam os trajes de lã que ela desenhava e que as tricoteiras da região executavam.
Kate estacionou em frente à loja, saiu do carro e abriu o porta-malas, de onde retirou as malhas que recolhera durante o dia com as esposas dos fazendeiros. No início, as mulheres não tinham se entusiasmado com a ideia de tricotar modelos desenhados por Kate. Porém, à medida que as encomendas aumentavam, chegaram à conclusão de que o negócio era bem mais vantajoso do que continuar com os antigos modelos.
Apressada, Kate pegou os pacotes e encaminhou-se para a loja. Ela e Margaret ainda precisariam aprontar um novo lote antes do fim do expediente, para ser despachado na manhã seguinte.
— Olá, Kate, eu já ia fechar a loja — disse Margaret, ao vê-la entrar.
— Parei na casa da sra. Keddy. Por isso demorei um pouco.
Sarah Keddy, apesar de bastante idosa, continuava a ser uma de suas melhores tricoteiras. Pertencia a uma família tradicional da redondeza, mas o neto, com quem vivia antes, emigrara para a Nova Zelândia com a esposa e os filhos, de modo que a boa velhinha levava uma vida muito solitária.
Depois da morte do marido Sarah vendera a fazenda e viera morar na cidade. Contrariando a opinião da vizinhança, que dizia que ele era uma pessoa de posses, sua casa de aspecto modesto não mostrava qualquer sinal de riqueza. Como, aliás, todas as outras residências do vilarejo. A bem da verdade, a vida naquela região ainda tinha muito de rústico. Apesar disso, Kate não a trocaria pelo luxo das grandes cidades. Ali ela havia encontrado paz e esperança depois de...
Balançou a cabeça, tentando afastar da mente as lembranças dolorosas. Era preferível não pensar no motivo que a obrigara a fixar-se ali. Embora já fizesse dois anos, tempo mais do que suficiente para que as feridas cicatrizassem, a dor ainda não desaparecera por completo, e a tranquilidade do lugar não apagara a amargura que sentia pelo fracasso de seu casamento.
Chegara a Woolerton praticamente por acaso. Começara a viajar sem rumo, ansiosa apenas por se afastar o mais possível de Londres. Ao pegar a estrada para a Escócia, porém, seu carro quebrara justamente na estrada de Woolerton. Na época, Margaret possuía um hotelzinho, e as duas se conheceram quando Kate fora procurar um quarto para se hospedar.
Seu carro iria ficar pronto no dia seguinte. No entanto, o tempo passava e os mecânicos não conseguiam completar o serviço. No quinto dia, Kate deixara de se irritar com a demora. Tudo porque, em conversas com Meg, chegaram a um acordo para comprar a loja de artesanato. Embora desde o início as vendas fossem boas, só depois que Kate começara a desenhar os modelos é que passaram a ter um lucro significativo.
— Daqui a meia hora Matt vem me buscar para jantarmos fora — informou Margaret. — Sobrou uma torta que preparei no almoço. Assim, se quiser...





Solteiro e Disponível!

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

A Agência de Encontros Yellow Rose alardeava ser capaz de conseguir um encontro, para qualquer mulher, com o Parceiro Ideal. 

E Emily não podia negar que o homem que fora selecionado para encontrar-se com ela, Cody James, parecia perfeito. 
O cawboy alto e sensual fez Emily perder o fôlego. 
O problema era que ela não contratara a Yellow Rose para encontrar um parceiro, mas sim para colher dados para uma reportagem sobre o dia dos namorados. 
Aconteceu que Cody estava disponível e... talvez a matéria precisasse de uma pesquisa mais profunda!

Capítulo Um

De: SuperScribe@BoyHowdy.com
Enviado em: domingo, 1a de novembro.
Para: MataHari@Upzydazv.com
Assunto: Já chega!
Tudo bem, Emily, tenho sido paciente, mas conheço você e se não se apressar a colocar os pés na Agência de Encontros Yellow Rose, você nunca o fará. Uma promessa é uma pro­messa, não que me deva favores ou coisa assim... Qual é o problema? Você até poderia encontrar alguém especial.
A primeira coisa que chamou a atenção de Emily Kirkwood, na segunda-íeira, quando entrou na Agência de Encontros Yel­low Rose, em San António, Texas, foi o perfume das rosas. A segunda, foi o vaqueiro mais bonito do mundo.
Uma das duas impressões a fizeram estacar. Ela preferiu pensar que fosse o ar perfumado, já que não era o tipo de mulher que se deixava impressionar por detalhes superficiais, como boa aparência. Orgulhava-se de dar importância maior a atributos como honra, integridade e honestidade.
Evidentemente, não podia enxergar qualidades como essas com um simples olhar, enquanto, ao contrário, pôde ver cabelos negros encaracolados e olhos de um azul vivo, pernas musculosas vestidas em calça jeans e ombros largos recheando uma camisa xadrez vermelha. Também pôde perceber a centelha de interesse que perpassou por aqueles olhos impressionantes, rapidamente dis­farçada quando ele se virou para a recepcionista.
— Sou Cody James — disse o homem, com um forte sotaque texano, dando à recepcionista um sorriso luminoso, enquanto segurava, entre as mãos, um chapéu de caubói branco. — Tenho um compromisso marcado para as onze horas, com Wanda Roland, e estou alguns minutos adiantado. Vou me sentar um pouco e aguardar até...
— Oh, não, sr. James! — A recepcionista parecia deslum­brada. — Wanda está esperando pelo senhor. Por favor, pode entrar — acrescentou, apontando para uma porta.
— Obrigada, madame, — Com um gesto respeitoso, o va­queiro dirigiu-se à porta, bateu de leve, e entrou.
A recepcionista, uma bonita senhora de meia-idade, de nome Teresa, como informava a plaqueta sobre a escrivaninha, aba­nou-se com um maço de papéis.
— Nossa! Eu queria um desses para mim,
— Todos os clientes da Yellow Rose são assim tão bem-apessoados?
Emily tentou falar naturalmente, mantendo a entonação crí­tica de sua voz sob controle. Por experiência, sabia que homens com aparência tão bela não eram confiáveis. Eram talvez tão pouco confiáveis quanto os homens ricos. E os ricos e bonitos formavam a combinação mais perigosa. Os pobres, mas hones­tos; atraentes, mas não de tirar o fôlego, esses eram os únicos em quem poderia vir a confiar algum dia.
Não que isso importasse. Não viera até a Agência Yellow Rose para encontrar o parceiro perfeito, mas apenas para colher informações para o artigo de jornal de seu primo, Terry. Pes­quisa, simples pesquisa. Ou, se quisesse ser honesta, chamaria a isso de espionagem.
Já fizera trabalhos semelhantes para o primo em Dálias, quando ainda não tinha sido transferida para San António, onde a empresa para a qual trabalhava, A&B Companhia de Construções, a incumbira de gerenciar a nova filial. Em Dálias, tudo não passara de uma simples travessura, que não fora além do preenchimento de um formulário, a realização de uma gravação de vídeo terrivelmente chata e embaraçosa, e o cru­zamento de dados pessoais por um computador estúpido, na tentativa de promover um encontro. Escrevera um breve relatório para Terry e dera a tarefa por encerrada.
Surpreendera-se com a maneira como havia se portado na­quela primeira experiência. Respondera a todas as perguntas com total sinceridade. Aos vinte e cinco anos, não tinha certeza se desejava se casar, depois de acompanhar a experiência de­sastrosa dos pais. Além de tudo, o fato de ter sido abandonada praticamente nos degraus do altar não contribuíra exatamente para elevar seu conceito a respeito dos homens em geral.
— Como eu poderia ajudá-la, senhorita...?
— Emily Kirkwood. Também tenho uma entrevista marcada para as onze, com a sra. Roland. Não me importo de voltar mais tarde.
— Oh, meu Deus! Será que Wanda se enganou de novo? — Teresa levantou a mão, para impedir a saída de Emily, pegou o telefone e discou três números. — Por favor, aguarde um instante... Wanda? Tenho a impressão de que houve outra con­fusão. Emily Kirkwood está aqui e diz que tem um... Só que o sr. James chegou, e achei que.,. Ah, ótimo. Claro. — Desligou o telefone. — Ela já vem.
— Escute, eu realmente não me importo de voltar uma outra hora. Na verdade, eu...



Amor de Perdição

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Ainda envergonhada pela paixão adolescente por Ranulf Carrington. Sylvie sabia da importância de fazê-lo compreender que voltariam a se encontrar de igual para igual. 

Faria o possível para se manter fria e distante. Afinal, as palavras cruéis proferidas por Ran quando de seu último encontro haviam banido todo o amor que sentia por ele. 
Por isso, tudo o que teriam seria um relacionamento estritamente profissional! Isto, é claro, se seu coração permitisse!

Capítulo Um

— Você não está falando sério... — Sylvie franziu a testa ao analisar a sinopse que seu chefe acabara de lhe entregar.
Lloyd Kelmer IV era a espécie de bilionário excêntrico que apenas devia existir em contos de fadas. E ela lhe fora apresentada em uma festa. Na época, fazia pouco que deixara a faculdade e se mudara para Nova York. Começaram a conversar e Lloyd lhe contou sobre as dificuldades que experimentava ao tocar a gigantesca e lucrativa empresa criada por seu avô.
Sylvie ficara interessada no que ele falara, mas mesmo assim surpreendera-se ao receber, poucos dias depois, não apenas um telefonema dele como a oferta de um emprego para que fosse sua assistente pessoal.
Sylvie acabou aceitando o emprego. Seu trabalho era variado e fascinante. Mal lhe dava tempo para respirar, quanto mais para relacionamentos afetivos. Mas aquilo não a preocupava. Sylvie percebeu que Lloyd a fitava com expectativa.
Ao longo dos anos, ela desenvolvera uma força de vontade férrea, muita determinação. Amava seu trabalho e acreditava que Lloyd e a Trust mereciam toda a sua dedicação.
Apreciava imensamente observar as casas que Lloyd resgatava, para lhes devolver a formosura de outrora. Talvez fosse idealismo, uma tolice romântica de sua parte, mas havia algo especial naquele processo. Entendia o que motivava Lloyd.
Suspeitava de que, ironicamente, o esquema de conservação em que trabalhara tanto tempo atrás, sob a supervisão de Ran, despertara nela a constatação de quão importante era preservar, cuidar e proteger a arquitetura de uma região. Isso fazia com que partilhasse da paixão do chefe pela tarefa.
Entretanto, sua responsabilidade como funcionária da Trust incluía não apenas partilhar do entusiasmo de Lloyd, mas certificar-se de que as aquisições estavam bem fundamentadas e corriam de maneira profissional. Devia garantir que o dinheiro da companhia fosse usado da melhor maneira possível, não desperdiçado.
— Você não aprova, não é mesmo? — indagou Lloyd, balançando a cabeça tristemente. — Espere até vê-la. Vai adorar. É um perfeito exemplo de...
— Estamos bem próximos do limite do orçamento deste ano.
— E daí? Basta aumentar a verba.
— Você está falando de um aumento de milhões de dólares! A Trust...
— Eu sou a Trust — Lloyd a fez lembrar-se com gentileza. — Estou fazendo o que sei que o velho homem gostaria que eu fizesse...
— Comprando uma construção neoclássica decadente no meio de Derbyshire?
— Você vai adorar, prometo.
Sylvie estava tentada a lhe dizer que andava ocupada demais e que ele teria de encontrar outra pessoa para tomar conta daquele projeto. Mas seu orgulho, o mesmo que a fizera manter a cabeça erguida e o espírito forte após a rejeição de Ran e no decorrer de tudo o que se seguira, recusava-se a lhe permitir fazer. isso.
Dessa vez ela e Ran estariam se encontrando em patamares iguais. Como adultos. Afinal, a casa que Lloyd queria comprar era dele! E então...



O Feitiço dos Teus Olhos

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Caminhando até a sacada do quarto que ocupava na elegante mansão dos Koutsoupis, Lia fitou a magnífica paisagem que se descortinava diante de seus olhos: o mar reluzia sob o intenso sol da Grécia, tornando-se vermelho incandescente. 

Porém, nem mesmo o cenário paradisíaco era capaz de aplacar as emoções que a consumiam.
 Permitira que Dimitrios Koutsoupis a confundisse com Poppy, sua prima, e agora tinha certeza de que pagaria muito caro pelo mal-entendido. 
Afinal, se apaixonara perdidamente por esse grego cruel e sedutor.

Capítulo Um

— Srta. Quinton! Tem exatamente sessenta segundos para abrir esta porta se não quiser que eu a arrombe! 
Lia estremeceu diante da ameaça contida na voz máscula e sonora. Não sabia qual a melhor atitude a tomar: ou fazia a vontade do estranho que tentava convencê-la aos gritos, ou ficava ainda mais exposta à ira dos vizinhos de seu apartamento.
E pensar que há pouco menos de uma hora ela já havia recebido um comunicado do síndico dizendo que precisaria pagar uma multa por ter perturbado a paz dos moradores locais!
No último mês, Lia viajara a trabalho, e sua prima Poppy ficara sozinha no apartamento. Assim, não era de se espantar que os vizinhos reclamassem do barulho, já que Poppy nunca fora o que se podia chamar de uma garota comportada.
— Muito bem, mocinha! — Voltou a ecoar a voz de barítono vinda do corredor. — Se é problema que deseja, é isto, justamente, o que terá!
Respirando fundo, Lia criou coragem e girou a maçaneta de bronze. No entanto, antes que ela tivesse tido tempo para fitar o autor de tantas ameaças, ele, que se preparava para arrombar a pesada porta de carvalho, entrou como um furacão pelo apartamento aconchegante, atropelando-a em sua abrupta invasão.
— Seu cretino! — Acusou-o, puxando nervosamente a massa de cabelos louro acinzentado que lhe cobria a tez muito alva.
— Cretino, eu?! — Retrucou o invasor, com uma expressão sarcástica no rosto moreno. — Veja só quem fala! Você que deveria ser um pouco mais esperta e não abrir a porta de maneira tão brusca. Sabia muito bem que eu estava prestes a arrombá-la!
A injustiça contida em tais palavras fez com que a adrenalina subisse ao cérebro de Lia e o sangue fervesse em suas veias.
— Como ousa ser tão arrogante! — Vociferou ela, no auge de sua fúria. — Ficou batendo como um maluco em minha porta e, quando finalmente resolvi verificar de que espécie de manicômio você vinha, ainda tenho de escutar de que maneira deveria ter aberto a porta de minha própria casa!
— Se fosse você, Srta. Quinton, não perderia meu tempo tentando parecer ultrajada — falou ele, em um tom malevolente. — Seria mais lógico perguntar quem sou eu, afinal. Não concorda. Ou será que é comum que um completo estranho tente colocar sua porta abaixo logo nas primeiras horas da manhã! — Havia um brilho sardônico nos olhos azuis quando ele a encarou com as sobrancelhas arqueadas.
— Não estou nenhum pouco interessada em saber quem o senhor é! — Lia retrucou, sentindo um calafrio percorrer sua espinha.
O pesado robe de lã que ela usava abriu com o esforço que fizera para se afastar do corpo moreno, e o tecido diáfano de seu baby-doll deixava pouco trabalho para a imaginação de quem a observasse naquele momento. Os olhos azuis do invasor, brilharam de admiração ao fitarem os seios redondos e firmes e as curvas insinuantes da delicada silhueta feminina.
— Mas vai ficar, Srta. Quinton! Pode apostar que vai ficar muito interessada em saber quem eu sou! — Sussurrou ele, ameaçador.
Os olhos dela voltaram-se para a porta que continuava aberta e subitamente lhe ocorreu que o melhor seria fugir. Aquele homem só poderia ser um maluco!
— Desista, minha cara! — Ordenou ele, lendo seus pensamentos e segurando-a pelo braço antes mesmo que ela fizesse o menor movimento.
— O que quer de mim. — Indagou, num fio de voz. Nunca havia se sentido tão acuada em toda sua vida. Os olhos acinzentados denunciavam seus temores e o estranho parecia apreciar o tumulto que estava causando.
— Ah, não se apresse garota. Uma coisa de cada vez — respondeu ele, encurralando-a contra a parede do hall.
Naquele instante, Lia deu-se conta de que ele falava com um forte sotaque estrangeiro. Tal detalhe somado à cor bronzeada de sua pele veio a confirmar-lhe as suspeitas de que ele não era inglês. Entretanto, era tudo o que sabia. Nem imaginava quem poderia ser o homem que ousava invadir seu apartamento em plena oito horas da manhã.
Sorrindo com satisfação diante da expressão consternada de Lia, ele lançou um último olhar para o corpo delicado e atraente.
— Bela, muito bela — murmurou apreciativamente. — Quantos anos tem. Dezoito...




Amor sem Lembranças

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Ao conhecer Matt ela não passava de uma criança... 

Ela o viu só uma vez na vida, mas foi o bastante para se entregar.
Com o coração disparado, Nicole aguardava que a porta do escritório se abrisse e Matthew entrasse. 
Ele agora seria seu patrão. 
Seria... se ela tivesse forças para continuar trabalhando ali, ao lado do homem a quem se entregara sem ao menos conhecê-lo, quando não passava de uma adolescente!
Só de pensar no que aconteceria quando Matthew a reconhecesse como a garota bêbada que levara para a cama, Nicole se sentia sufocar.

Capítulo Um

 Nicole saiu de seu pequeno carro e alisou a saia do conjunto elegante antes de olhar com uma expressão ansiosa na direção do prédio. Eram dez para as nove, e o estacionamento já se encontrava quase cheio; naquele dia o novo dono da companhia faria sua primeira aparição oficial.
Ela se encontrava em férias quando aconteceram as negociações inesperadas, que resultaram em mudanças na cúpula da empresa, mas seus colegas vinham comentando esse fato sem parar.
Não era nenhuma novidade que Alan Hardy, o proprietário da pequena construtora, praticamente perdera o interesse pelos negócios depois da morte trágica do filho. Mas ninguém esperava que ele fosse vendê-la para alguém de fora da cidade, ainda mais para alguém que provavelmente veria a pequena firma apenas como mais um item em seu crescente império comercial.
Nicole, no entanto, sabia que seu emprego estava seguro; pelo menos fora tranquilizada nesse sentido. Trabalhara para Alan como secretária e assistente particular desde sua volta de Londres, oito anos atrás, e gostava muito do trabalho, embora nos últimos tempos precisasse conferir duas vezes quase tudo que o patrão lhe dava para fazer.
Alguns funcionários se enfureceram pela maneira como Alan mantivera a venda em segredo; ela própria não ficara sabendo de nada, mas, em vez de raiva, tinha compaixão tanto por Alan como por sua esposa, Mary.
A morte do filho num acidente de automóvel destruíra suas vidas e as esperanças de futuro. Era natural que Alan se desanimasse e perdesse o interesse pelos negócios.
Nicole suspirou. Confiava em sua capacidade de trabalhar em harmonia com o novo patrão, que, segundo lhe haviam dito, pretendia deixar um gerente encarregado da direção cotidiana da firma e apenas a visitaria uma vez por semana. Dessa forma, ela teria de trabalhar com o gerente nomeado.
Durante o fim de semana, porém, Gordon, seu namorado, expressara dúvidas desagradáveis quanto a sua competência para desempenhar as funções de secretária de um empresário bem-sucedido.
Os comentários a aborreceram, contudo ela refreara os sentimentos. Gordon mantinha uma postura um tanto antiquada a respeito das mulheres, e Nicole culpava a mãe dele por isso. Tratava-se de uma daquelas mulheres que, enquanto tentavam se mostrar indefesas e dependentes, eram na verdade manipuladoras e dominadoras.
De maneira deprimente, começava a tomar consciência de que o tempo que passava com Gordon costumava deixá-la irritada e em desacordo com ele.
Os dois se conheciam desde pequenos, embora apenas nos últimos dois anos tivessem começado a namorar.
No Natal, Gordon insinuara que estava pensando em ficar noivo, porém ela evitara o assunto. No entanto, viver numa comunidade tão pequena se tornava difícil para uma mulher solteira, se não tivesse uma companhia masculina para os eventos sociais. Mulheres solteiras entre vinte e cinco e trinta anos eram vistas com certa suspeita pelos reacionários locais.
Nicole tinha amigas, claro, garotas com quem estudara e que depois haviam se casado e constituído família. E, para ser honesta, preferia se divertir na companhia delas a seus encontros geralmente maçantes com Gordon.
Sua mãe já havia comentado com certa secura que uma vida inteira com Gordon parecia tempo demais, e Nicole se sentia inclinada a concordar. Mas Gordon representava estabilidade e respeitabilidade, e ela possuía seus próprios motivos para crer que precisava dessas características em sua vida.
Ao caminhar na direção do prédio de escritórios, ia respondendo com amabilidade as saudações que recebia dos homens que se encontravam no jardim, enquanto ignorava a maneira como olhavam para suas pernas.
Já havia passado por eles e, quando estava prestes a abrir a porta, ouviu um deles rir, o que a fez corar imediatamente. Não tinha ideia da razão do riso; talvez nem mesmo fosse ela, mas no instante em que o ouviu quis correr e se esconder.
Era ridículo carregar aquele fardo, do qual não conseguia se libertar, e tudo por causa de um erro, uma tola falha de julgamento na adolescência...