domingo, 25 de janeiro de 2015

Inocência Cativa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Dueto Inocência e Ilusão 








Lições de paixão... 

Falta muito pouco para Anna conseguir o emprego de seus sonhos como professora e ter a garantia de uma vida tranqüila. Mas tudo vai por água abaixo.
E existe apenas um culpado: o ex-piloto de corrida Cesare Urquart. Ele acredita que ela é responsável pelo fim do casamento de seu melhor amigo.
Assim que Anna chega a sua propriedade na Escócia, o sangue dele esquenta como não acontecia havia muitos anos. Pois sob o jeito alegre dela existe uma inocência tentadora para Cesare...

Capítulo Um


Se, como diz o ditado, a prática leva à perfeição, então o sorriso de Anna apresentava a combinação perfeita de deferência e confiança fria, elegante. Por baixo de seu casaco de tweed rosa minuciosamente abotoado, entretanto, seu coração batia com tamanha força que Anna o imaginou arrebentando seu peito, enquanto ela tagarelava sobre as recentes alterações na grade da escola primária.
Ignorou-o, porém, e, falando com o nível apropriado de confiança, Anna manteve a atenção do público — ou será que por trás dos olhares atentos todos estavam, na verdade, pensando no que iam jantar? Anna empinou o queixo e afastou a insegurança. Disse a si mesma que relaxasse. E se fizesse algo errado? Bem, aquele era apenas um emprego. Apenas um emprego? Quem ela queria enganar? 
Aquela atitude filosófica poderia enganar o resto do mundo, mas aquele não era um mero trabalho para Anna, fato de que se dera conta quando as datas de suas duas entrevistas coincidiram. A escolha parecia simples. A primeira vaga era na escola local altamente recomendada a poucos metros de seu flat; e ali ficara implícito que ela era uma forte candidata. 
Para o outro cargo, em uma instituição remota na costa noroeste da Escócia, Anna jamais teria se candidatado se não tivesse visto o artigo na sala de espera de um dentista. Uma decisão claramente óbvia. Ainda assim, fazia muito tempo que Anna não desejava alguma coisa como desejava aquele emprego. 
— Claro, queremos que nossos jovens se tornem indivíduos conscientes, mas a disciplina é importante, não acha Srta. Henderson? Anna inclinou a cabeça e concordou com seriedade. 
— Claro. — Ela olhou para a mulher esguia no final da fileira, que havia feito a pergunta. 
— Mas acredito que em um ambiente onde a criança se sente valorizada e encorajada a expandir seu potencial, a disciplina raramente é um problema. Essa é a minha experiência em sala de aula, pelo menos. O homem calvo sentado ao lado direito dela olhou para o papel diante de si. 
— E essa experiência é quase exclusivamente em escolas da cidade? — Ele trocou um olhar significativo e um sorriso discreto com os membros da banca examinadora.
— Você não está acostumada com uma comunidade rural como esta, não é? 
Anna, que já esperava por aquela pergunta, relaxou e balançou a cabeça. Seus amigos e sua família já haviam dito a mesma coisa, só que não de uma forma tão diplomática, insinuando que ela perderia a vontade de viver depois de um mês naquele deserto cultural. Por ironia, as únicas pessoas que não deram uma opinião negativa foram aquelas que provavelmente mais odiavam a ideia. 
Teria sido compreensível se tia Jane e tio George, cuja filha se mudara para o Canadá, tivessem jogado as mãos para o céu em horror diante da possibilidade de perder a sobrinha que sempre trataram como uma segunda filha. Mas não: o casal reagiu bem, apoiando-a com serenidade.
— É verdade, mas... 

Dueto Inocência e Ilusões
1- Inocência Cativa
2- Paraíso das Ilusões  

sábado, 24 de janeiro de 2015

Herdeiro das Sombras

ROMANCE SOBRENATURAL
Série Cisne Negro


Lá fora a escuridão tinha caído, e apenas com tochas estrategicamente colocadas é que tinhamos alguma luz.

O grito terrível soou novamente, ecoado por outros menores, gritos cheios de terror dos moradores de Palm conforme eles corriam para o abrigo. 
Um lampejo vermelho chamou minha atenção, e eu agarrei o braço de Rhona enquanto ela passava. 
— O que está acontecendo? — Eu exigi. Mesmo na luz tremeluzente, eu podia ver que ela estava pálida como a neve em torno de nós. 
— A tempestade, — gritou ela. — A tempestade está vindo. — Ela se puxou desesperadamente de meu aperto e eu a liberei, mais confusa do que nunca. 
— O que está acontecendo? — disse Rurik, chegando ao meu lado. 
— Estamos sendo invadidos? 

Capítulo Um 

Tenho certeza que Ohio é um lugar perfeitamente legal, uma vez que você comece a conhecê-lo. Mas para mim, agora, era semelhante a um dos círculos do Inferno. 
— Como, — perguntei, — o ar pode ter esse tanto de umidade? É como estar nadando. Minha irmã, andando ao meu lado no sol de fim de tarde, sorriu. 
— Use a sua magia para empurrá-la para longe de você. — Muito trabalho. Ele simplesmente continua voltando, — eu resmunguei. Jasmine, como eu, tinha sido criada no calor seco do Arizona, então eu não conseguia entender por que ela não sentia a mesma repulsa que eu para as condições climáticas do alto verão no Centro-Oeste. Nós duas tínhamos como habilidade a magia do tempo, mas a dela se concentrava principalmente sobre a água, talvez isso explicasse sua atitude indiferente. 
Talvez fosse apenas a resistência dos jovens, já que ela era cerca de dez anos mais jovem que eu. Ou talvez, apenas talvez, fosse porque ela não estava com quase cinco meses de gravidez e transportando cerca de seis quilos extra de sua prole que pareciam tentar me causar um superaquecimento, sugando meus recursos, e praticamente me redimindo de cada coisa ruim que eu já tenha feito. Também havia a possibilidade dos meus hormônios estarem me deixando um pouco irritada. 
— Estamos quase lá, — disse uma voz educada do meu outro lado. Pagiel. Ele era filho de Ysabel, uma das mulheres gentry mais vadia que eu conhecia — e ela nem sequer tem excesso de hormônios como desculpa. 
Pagiel não tinha herdado a personalidade de sua mãe, felizmente, e possuía um talento especial para cruzar entre o Outro-Mundo e o mundo humano que rivalizava com o meu e o de Jasmine. Ele tinha mais ou menos a mesma idade que ela, e o fato de que eu tinha que ter acompanhantes adolescentes para me levar até minha consulta médica só acrescentava mais um insulto aos muitos insultos que eu vinha sofrendo nos últimos meses. 
Um bloco a frente, a Clínica Hudson de Saúde da Mulher ficava entre cuidadosamente pereiras podadas e puras linhas de gerânios. A clínica se localizava bem na divisa entre a zona comercial e residencial da cidade e tentava dar a impressão de que fazia parte da última. Mas não era o bonito paisagismo que me fazia voltar a esta sauna, e a caminhar quase um quilômetro todas as vezes entre o portão do Outro-Mundo e a clínica. 
Não era nem mesmo os cuidados médicos, que eram alias, bons, pelo menos até onde eu poderia dizer. Realmente, o que me fazia vir aqui, a melhor coisa deste lugar era que, até agora, ninguém tinha tentado me matar aqui. 
Aquele maldito calor úmido tinha me deixado pingando de suor até o momento que chegamos no edifício. 
Eu estava acostumada a suar no deserto, mas havia algo nesse clima que me fazia sentir pegajosa e grosseira. Felizmente, uma onda de ar condicionado nos atingiu assim que andamos através da porta. 
Por mais gloriosa que fosse para mim, para Pagiel era como um milagre. Eu sempre gostava de ver seu rosto quando ele sentia aquela primeira explosão de ar frio.



Série Cisne Negro
1- Storm Born
2- Thorn Queen
3- Iron Crowned
4- Shadow Heir - Herdeiro das Sombras
Série Concluída
Comunidade Tradução

Paraíso das Ilusões

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Dueto Inocência e Ilusão 

Sol, mar e uma bagagem de decepções... 

Abandonada pelo namorado enganador e com a autoestima despedaçada, Kayla Young foge para uma ilha grega isolada.
Perseguido pela imprensa e por caçadoras de fortuna, Leonidas Vassalio não consegue acreditar que há uma estranha em seu santuário com quem é obrigado a conviver.
Kayla sequer desconfia da verdadeira identidade de Leo. E ele vai aproveitar a situação a seu favor...

Capítulo Um


— E ISSO mesmo! É essa imagem que quero. Pare de perder tempo, seu idiota, e voe logo! — A câmera disparou um segundo antes de o pássaro alçar vôo da rocha e pairar acima da água cristalina. — Não achou que eu fosse deixar você escapar, achou? 
De seu ponto privilegiado, numa encosta rochosa que dava para a praia recoberta de cascalho, Kayla Young virou-se abruptamente para trás, envergonhada, ocorrendo-lhe que alguém podia tê-la ouvido. Aliviada, viu que não havia ninguém por perto, que se encontrava a sós sob a brisa morna e o sol forte que brilhava num céu de azul intenso. Não tinha certeza de quando havia começado a falar sozinha. 
Talvez o fato de ter ido sozinha para aquela ilha esplêndida não estivesse fazendo bem para a sua sanidade, pensou com uma careta. Ou talvez fosse um mecanismo de defesa porque sabia que, naquele dia, na distante Inglaterra, o homem com quem achara que passaria o resto da vida estava prestes a se casar com outra mulher. Precisamente dali à uma hora. 
A dor da traição não era mais tão profunda, mas as cicatrizes permaneciam Desafiando-as, porém, jogou o cabelo loiro para trás e tornou a olhar pelo visor da câmera. Apenas os lábios apertados evidenciaram sua tensão enquanto observou silenciosamente a beleza ao redor. Montanhas azuladas. Água translúcida. Um grego extremamente sexy... 
Ela estivera seguindo uma linha pela extensão da paisagem até a praia deserta, mas recuou rapidamente com o visor. Baixando a máquina fotográfica, descobriu que podia vê-lo claramente sem a ajuda das lentes de zoom Deteve-se para observá-lo por um longo momento. Ele era bronzeado e tinha cabelo ondulado e preto, um tanto mais comprido que o habitual, caindo junto ao pescoço. 
Usando camiseta preta e jeans claro, retirava equipamento de pesca do barco de madeira que havia acabado de arrastar até a praia. Considerando os contornos dos músculos de seus braços e a maneira como a camiseta lhe moldava o peito forte e largo, ela logo presumiu que fosse um homem que trabalhava com as mãos. 
Uma velha caminhonete estava estacionada perto da rocha onde ela se encontrava, na estrada logo acima da praia. Quando o homem começou a andar na direção do veículo, na direção dela, Kayla não conseguiu parar de observá-lo. Por alguma razão inexplicável, tornou a olhá-lo através do zoom da câmera. 
A inspeção secreta encheu-a de um entusiasmo absurdo e descuidado. O homem tinha a barba por fazer, o que dava ao seu maxilar forte e às feições marcantes um ar ainda mais másculo. Eram as feições de um homem experiente que não devia ter mais de 30 anos, um homem que provavelmente exigiria as coisas à sua maneira e as teria.
Com um peculiar arrepio na espinha, Kayla notou logo o ar determinado na expressão dele, a arrogância e o orgulho em seu andar, na postura. 

Dueto Inocência e Ilusões
1- Inocência Cativa
2- Paraíso das Ilusões  

Verdade

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Consequência



Claire sobreviveu às consequências.

Através da força e compartimentalização, Claire Nichols cativou seu captor.
Embora Anthony Rawlings pensasse que ele ensinou Claire a se comportar, a sua dominação se tornou um desejo e sua obsessão se transformou em amor. Ou já era?
Quando as escolhas dela empurraram a vingança implacável de Anthony para longe, Claire mal sobreviveu às consequências. Descubra a verdade.
Agora, armada com novas informações e mais perguntas do que respostas, Claire trabalha para descobrir a verdade por trás do jogo perigoso. 

Quando ela começa de novo, ela deve decidir em quem pode realmente confiar, especialmente com um novo conjunto de jogadores em movimento.

Capítulo Um

Olhando ao redor de seu escritório, Richard Bosley I contemplou seu lugar na história. O escritório imponente cheirava a prestígio. Estantes impressionantes cobriam as paredes, e sua mesa de mogno criava uma plataforma da realeza. 
As bandeiras dos Estados Unidos e Iowa penduradas visivelmente atrás de sua cadeira de couro. Apenas quinze meses em seu segundo mandato como governador, ele tinha tantas metas a cumprir. 
Os eleitores se reuniram em torno dele após a trágica morte de seu único filho e sua família. Eles colocaram a sua confiança nele, nas suas ideias, e em seus valores. 
Olhando fixamente para a foto da família dele com o filho, a cunhada, e seu neto, ele questionou seus próprios valores.Talvez tivesse sido muito elevado. Talvez se ele tivesse ficado fora do cargo público... as coisas teriam sido diferentes.
O frio vento de Março de Iowa explodiu fora da janela e criou um uivo baixo através das placas de isolamento. Vendo seu reflexo contra o céu negro da noite, Richard Bosley I sabia a verdade: ‘talvezes’ não significavam nada! 
Sua família tinha ido embora e sua terceira rodada de quimioterapia começaria amanhã. A segunda rodada tirou seus cabelos e energia. A terceira pode muito bem tirar sua vida. Se isso não acontecer, o câncer certamente o faria. Vendo sua magra reflexão e exibição de suas mãos, ele viu a palidez cinzenta. Sua pele era apenas um invólucro de grandes dimensões, vagamente pairando sobre seus ossos. Ela lembrou-lhe que a vida não era justa. Ele orou que a morte fosse.
Richard Bosley I renunciaria oficialmente como governador de Iowa na conferência de imprensa agendada para amanhã ao meio-dia. 
O vice-governador, Sheldon Preston, seria imediatamente empossado no cargo pelo prazo remanescente. Hoje à noite, sozinho no escritório executivo, o governador Bosley escolheu tomar decisões. 
Ele não tinha nada a perder. Para o inferno com o conselho executivo; hoje a única opinião que importava era a sua.

Série Consequência
1- Consequência
2- Truth - (Verdade)

Compromisso Casual

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Dueto Corações Roubados




O que não deveria passar de uma noite de paixão se tornou algo muito maior para o empresário texano Matthew Wheeler. 

Havia alguma coisa em Evangeline, a mulher misteriosa que ele conhecera em um baile de máscaras, que o impelia para fora de seu autoexílio. 
Matthew finalmente se sentia pronto para esquecer o passado trágico e se deixar levar pelo amor


Capítulo Um

Matthew Wheeler entrou na festa de Carnaval, não para comer, beber ou ser feliz, mas para se tornar outra pessoa. Veneza atraía gente do mundo inteiro, por sua beleza, história ou diversas outras razões, mas ele duvidava que qualquer dos festejadores aglomerados na Praça de São Marcos tinha ido lá pela mesma razão que ele. Matthew ajustou a máscara cobrindo a parte superior de seu rosto. 
Todos usavam fantasias, alguns estavam de terno e máscara simples, como Matthew, e muitos em trajes elaborados... mulheres com vestidos estilo Maria Antonieta e chapéus de pena. Todos também usavam sorrisos, mas isso era uma coisa que ele não podia produzir. 
— Venha, meu amigo. — Vincenzo Mantovani, seu vizinho, bateu no ombro de Matthew. — Iremos à festa no Caffe Florian. 
— Va bene — replicou Matthew, ganhando um sorriso do italiano que designara a si mesmo como guia carnavalesco de Matthew, esta noite. Vincenzo designava-se como muitas coisas, contanto que elas fossem divertidas e imprudentes, o que fazia dele a companhia apropriada para um homem que queria encontrar tais coisas, mas não tinha ideia de como. 
Na verdade, Matthew ficaria feliz se apenas pudesse esquecer Amber por algumas horas, mas o fantasma de sua esposa o seguia para todo lugar, até mesmo para a Itália, a milhares de quilômetros do túmulo dela. Vincenzo e Matthew atravessavam a Praça de São Marcos e entravam no Caffe Florian, onde estava muito barulhento para conversa. 
O que Matthew achou bom. Ele tinha a companhia certa, mas talvez Vincenzo não tivesse. Matthew era o americano que morava sozinho no grande, porém solitário, palácio. Era a descrição de Vincenzo, não de Matthew, embora aquilo fosse um pouco verdade. Ele fizera uma oferta maior que a de um príncipe árabe para comprar o palácio com vista para o Grand Canal, como presente de casamento para Amber, mas eles nunca haviam ido para a Itália nos 11 meses após o casamento. 
Ele estivera muito ocupado, trabalhando. Então, era tarde demais. Matthew deu um gole do cappuccino que seu novo amigo produzira, e tentou se sentir alegre. Se ele planejava esquecer Amber, pensar nela não ia funcionar. Ela detestaria vê-lo assim; ia querer que ele seguisse em frente, e Matthew estava tentando. 
Seu único objetivo esta noite era ser alguém que não estava sofrendo, alguém que não tinha o peso da responsabilidade e as expectativas da família em seus ombros. Alguém que se encaixasse nessa atmosfera hedonista do carnaval.

Dueto Corações Roubados
1- Além do Esperado
2- Compromisso Casual

Além do Esperado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Dueto Corações Roubados
O playboy Alex Staton gosta de relacionamentos curtos e sem compromissos. 

No entanto, um caso ardente com Gwen Wright o deixa querendo mais. 
Quando uma viagem de fim de semana lhe dá a chance de estar de novo com a atraente mulher, ele não perde a oportunidade. 
Mas as coisas mudaram… Além de estar visivelmente grávida, Gwen insiste que está farta de homens. 
Como se o desafio já não fosse tentador o suficiente, as novas curvas a deixaram ainda mais sexy. Será que o solteirão boa-vida poderá confiar em seu coração, já que não consegue parar de pensar na futura mamãe?

Capítulo Um

— Eu estou quase chegando — disse Alex. — Charmosamente atrasado, como sempre. A voz de seu melhor amigo, Will Taylor, soou no telefone dentro do Corvette. 
— Eu não estou preocupado. Apenas queria me certificar de que você se lembrava de como chegar aqui. — Estou fazendo a última curva agora — mentiu Alex. Estava pelo menos a 15 minutos da casa no Porto Sag, mas isso tranquilizaria as preocupações de seu amigo. 
Quatro de Julho era um daqueles feriados sem obrigações. Não havia agenda, então ele não poderia estar atrasado. — Todo mundo já está aí? 
— Sim Alex hesitou antes de fazer uma última pergunta: — Gwen acabou levando alguém com ela? — Era uma pergunta perigosa, mas ele tinha de saber. Rearranjara sua agenda inteira para fazer essa viagem porque ela estaria lá. 
— Não, ela veio sozinha. Pegou carona conosco esta manhã. Excelente, pensou Alex, mas não falou. Pelo que sabia, ninguém, incluindo Will e Adrienne, tinha conhecimento do que acontecera entre ele e Gwen no último outono. Então, é claro que eles não entenderiam seu interesse em revê-la. Ou seu desejo ardente de tê-la em sua cama, todas as noites, pelos próximos cinco dias daquela viagem. 
— Então, somos dez? — Alex tentou não parecer que estava sondando. — É um bom número de pessoas. Fico contente que ela tenha conseguido uns dias de folga. Eu não a vejo desde o casamento, mas imaginei que Adrienne a convenceria a vir para cá no feriado. Will emitiu um som pensativo, mas não elaborou. — Até já, então. — Até — respondeu Alex, apertando o botão no volante para terminar a ligação. Recostando-se no assento de couro, pisou mais fundo no acelerador. 
Gwen estaria com eles na zona balneária dos Hamptons, naquela semana. Sozinha. As duas semanas que eles tinham passado juntos depois do casamento de Adrienne e Will haviam sido incríveis. Ela era a mulher mais inteligente e divertida com quem ele já estivera. 
Era uma surpresa agradável encontrar uma mulher tão intrigante em um pacote tão pequeno. Mas subestimar o fogo dentro da figura pequena era um grande erro. Ela era fogosa na cama e fora dela. As duas semanas dos dois tinham voado, e antes que ele se desse conta tivera de partir para Nova Orleans. 
Como todos os seus relacionamentos, esse também fora curto e sem elos. Mas, diferentemente da maioria das mulheres com quem ele saía, Gwen não quisera mais que isso. Ela não olhara para sua conta bancária ou para seu dedo sem aliança com ambição. Estivera lá apenas para se divertir. Parecia ocupada, como ele, e não querer a complicação de alguma coisa mais séria. O que era perfeito. Tão perfeito que Alex esperava que ela estivesse disposta a outra rodada.

Dueto Corações Roubados
1- Além do Esperado
2- Compromisso Casual

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O Selvagem

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Será que esse ditado era verdadeiro, pensava Marie.

Completamente sozinha com seu raptor, sobre as areias daquele oásis, iluminadas pelo luar, em pleno deserto. 

Por que aquele estranho, selvagem e arrogante a tinha levado para lá?
Será que ele só queria o resgate que seu pai, muito rico, poderia pagar? Ou havia algo mais por trás daquela brincadeira de mau gosto, que a assustava e a atraía?
Mas seu raptor apenas sorria, zombeteiro, antes de responder: 

— Você queria ver a vastidão primitiva e cheia de liberdade do deserto, não? Agora vou realizar o seu sonho.

Capítulo Um

O terraço de pedra ao lado da piscina estava vazio. Não havia ninguém nas mesas, ninguém nadando na água brilhante. Do salão de baile vinha a batida do conjunto local, tentando duramente imitar um ritmo ocidental, mas só conseguindo em parte. Marie tinha fugido do salão para escapar de um rapaz bastante aborrecido, que parecia incapaz de aceitar uma recusa educada.
Ele a perseguia há cinco dias, de manhã à noite. Ela estava quase sendo grosseira, mas achou que seria melhor esconder-se dele do que dizer as palavras que tinha na ponta da língua. Ser discreta, como seu pai gostava de dizer, é ter uma das melhores qualidades.
Ela se debruçou na amurada baixa de pedra, olhando o mar iluminado pela Lua, ouvindo o murmúrio das ondas que rolavam suavemente ao longo da pequena baía, fazendo um fundo irônico para a batida insistente da moderna música de dança. 
Num promontório à direita da baía ficava um farol, que enviava uma luz firme e vermelha através da água, deixando um rastro vermelho e brilhante na baía, como se fosse um vitral.
Em algum lugar, além do alcance da vista, um navio apitou baixo, dando o aviso de nevoeiro à distância. Tinha sido um erro ir para lá. A propaganda havia lhe prometido um mundo mais antigo, mais misterioso que o dela, e ela veio à procura disso, para acabar presa no seu próprio mundo de ar condicionado, água quente e grossos tapetes, incapaz de alcançar o mundo fervilhante, secreto e cheio de encantos que vislumbrou em sua visita a Kasbah.
Foi uma visita curta, vigiada de perto por um guia que não deixou ninguém sair do caminho por ele escolhido, e que olhava constantemente para trás, com visível ansiedade, como se esperasse ser atacado a qualquer momento. 
Da rua principal por onde andaram, Marie viu as ruelas escura e cheias de gente, que levavam a um labirinto tortuoso de habitações minúsculas; mulheres com véus esvoaçando nas cabeças abaixadas; homens de pele cor de oliva, que caminhavam com arrogância no meio da multidão, os olhos escuros passando pelo grupinho excitado de europeus, sem o menor interesse.
Por um momento, sua imaginação foi despertada, mas o guia levou-a embora, murmurando sobre os perigos inimagináveis que se escondiam nas sombras. Assim, os quinze dias no deserto misterioso tinham-se tornado nada mais que férias à beira-mar num hotel de luxo, e por isso ela estava aborrecida.
Estava cansada de tapetes e camas macias, de comidas caras que tinham sempre o mesmo sabor, da monotonia sem fim do conforto, e do não fazer nada. 


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Perfumes da Arábia

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Jeannie ergueu o rosto e deixou que a brisa impregnada de aromas doces e delicados lhe acariciasse os cabelos.

Tarik esperava sua decisão, com os olhos escuros brilhando de desejo. 

Os dois estavam sozinhos naquele oásis que o luar iluminava.
O que acontecesse ali permaneceria em segredo; Mahine, a esposa dele, jamais ficaria sabendo...Mas como entregar-se para perdê-lo em seguida? Como pertencer a Tarik apenas uma vez, se o queria para sempre?

Capítulo Um

O avião voava em círculos, preparando-se para aterrissar. Nuvens de poeira obscureciam a paisagem, mas assim mesmo Jeannie conseguiu avistar as dunas suaves do deserto que a esperava.Que contraste com a Inglaterra, de onde saíra há apenas sete horas!, refletiu. O solitário prédio do aeroporto, percebido ao longe, aumentou a incerteza quanto ao futuro, 
— Desolador, não? — comentou o passageiro próximo a ela. — Não se preocupe! A cidade de Safic não é assim. Jeannie concordou distraída. Tentara evitar aproximações masculinas desde a saída de Heathrow... Mulheres viajando sozinhas costumavam ser alvo de abordagens desagradáveis por parte dos homens. Ocupou-se em acertar o relógio pelo horário de Riyam, o pequeno país árabe onde agora iria viver. 
— Senhoras e senhores, por favor apertem os cintos de segurança e observem o alerta de não fumar — avisou a aeromoça. — Mantenham os encostos na posição vertical até o completo estacionamento da aeronave. Estamos aterrissando no aeroporto de Kur. Para os passageiros que não tiverem condução, oferecemos transporte rodoviário até Safic. A British Air espera que tenham feito uma boa viagem, desejando-lhes uma agradável estada em Riyam. Jeannie aguardou em silêncio que a maioria dos passageiros desembarcassem para então pegar a bolsa e segui-los. 
Por alguma razão, relutava em enfrentar os desafios que teria pela frente. Ao sair, foi envolvida pelo calor sufocante e sentiu a poeira levantada pelo vento forte assentando em sua camisa branca, aumentando-lhe a irritação. Tudo isso colaborava para que se sentisse mal e despreparada. Como ousavam chamar aquilo de aeroporto?... Como se não bastasse aterrissar longe de Safic, ainda precisava suportar aquele lugar horrível. 
A eficiência de Heathrow parecia uma bênção se comparada à dali. Com um suspiro resignado, Jeannie deu o passaporte ao encarregado da conferência. 
— Bem-vinda a meu país, Srta. Bennett. Ela ergueu a sobrancelha, intrigada, e o homem sorriu. — Terá que esperar um pouco. Se tiver bagagem, em uma ou duas horas estará livre. Há um restaurante no aeroporto... talvez aprecie esperar lá. 
Mais um contratempo! Tudo o que desejava era chegar à civilização e tomar um banho. 
— E qual é o problema? — perguntou contrariada. — Por que não posso pegar a bagagem? 
— Os fiscais estão no horário de almoço. 
— Deve haver outros! 
— Não, Srta. Bennett. Este é um aeroporto pequeno. Conformada, Jeannie deu de ombros, voltando-se para os passageiros que vinham atrás. Não havia nada a fazer; além disso estava faminta. 
— Senhorita...
 

Uma Chance Para Amar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Daniel Pendleton é incansável. O mais velho entre seis irmãos e uma irmã, ele foi forçado a amadurecer rápido depois da morte dos pais.

Agora, com todos crescidos, ele finalmente tem tempo para aproveitar a vida e fugir do papel do Pendleton responsável e confiável, ainda que temporariamente. 
Daniel quer apenas uma mulher para acompanhá-lo nessa fantasia proibida: Sarah Kingston. 
Mas ela tem certeza de que só causará problemas para um homem bom como ele. O lado sensato de Sarah diz para evitar o envolvimento. O lado sensual, porém, só quer se entregar à oferta de um caso apaixonado e inconsequente. 
Depois de alguns beijos ardentes, ela não resiste. Daniel achava que levar Sarah para a cama seria o suficiente para satisfazer seu desejo e esquecê-la. Entretanto, ele não imaginou que se apaixonaria por uma mulher assombrada por segredos do passado…


Capítulo Um

— Não — disse Sara, suavizando a recusa com seu mais refinado sorriso. — Foi gentil da sua parte ter me convidado, mas realmente preciso conferir os aperitivos — Afastou-se, esperando não ter ofendido o cliente, mas algo na maneira como o homem a fitava a fez se sentir desconfortável. 
Não deveria ter usado a lingerie vermelha naquela noite. Revirou os olhos, repreendendo-se em silêncio. Paranoia! O homem não era o Superman. Não podia ver que tipo de lingerie ela estava usando. Verificou as mesas bem-guarnecidas e decoradas com toalhas de linho. Sua chefe, Carly Bradford, não medira esforços para produzir uma grande festa de Natal a bordo do Matilda’s Dream, uma embarcação de sua propriedade, que alugava para festas e cruzeiros fluviais. 
Agentes de viagens, representantes de empresas locais e os sete irmãos de Carly dançavam, comiam, riam e flertavam nos três deques decorados. Não sendo muito adepta de festividades, Sara implorara para ser dispensada, mas Carly era mais do que uma chefe, era uma amiga e parecia determinada a incluí-la em todos os eventos sociais da família. 
— Está se especializando em conferir mesas de aperitivos — soou uma voz masculina grave atrás dela. 
Sara ficou tensa. Daniel Pendleton, Desde que ela, sem querer, derramara sopa em seu colo, seis meses antes, ele fazia com que se sentisse tão desejável quanto uma borra de café. Daniel queimara as mãos em um incêndio no celeiro e Carly lhe pedira para ajudar a cuidar do irmão. Ele não lhe demonstrara a mínima gratidão. O relacionamento dos dois era, na melhor das hipóteses, civilizado. Respirou fundo e inalou a fragrância suave de sândalo e sabonete que ele exalava. Então, virou-se para encará-lo. 
— Carly está ocupada mantendo os convidados entretidos. Só estou tentando ser útil. 
— Pensei ter ouvido Carly dizer que queria que seu pessoal tirasse a noite de folga e se divertisse como convidados. — Gesticulando com a mão, apontou em direção a um garçom vestido de preto. 
— Ela contratou uma agência de empregos temporários para fornecer garçons. — Os cantos da boca se ergueram em um sorriso. 
— Você deveria estar se divertindo. — A fileira de dentes brancos desconcertou-a. 
— Quer dançar? Perplexa com o convite, ela piscou, então sacudiu a cabeça em uma negativa de modo automático.
— Não. Eu... 
— Por quê? 
Sara olhou em seus olhos violeta, traço característico dos Pendleton, e não conseguiu pensar em uma resposta. Se um nome tivesse de ser colocado após a palavra masculino no dicionário, esse nome seria Daniel Pendleton. Tinha ombros largos, um abdômen plano e quadris estreitos, os quais se sobressaíam com perfeição naquele elegante terno azul-marinho. Os cabelos de um tom castanho-escuro possuíam um leve ondulado e as poucas rugas de expressão, na testa e ao redor dos olhos, acrescentavam um toque de maturidade a seu rosto bonito. 
 

Castelos de Areia

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Jane não sabia mais há quantos dias ela e Nick — até então um desconhecido — estavam perdidos naquela ilha deserta, vivendo como Adão e Eva no paraíso. 
Era um tormento, nas longas horas da noite, não ceder à tentação de entregar-se aos braços de Nick, pedindo-lhe que a estreitasse com força e lhe desse coragem para continuar. 
Mas Nick, o maravilhoso companheiro que ela aprendeu a conhecer e a amar, tinha deixado bem claro que, para ele, o casamento era o pior obstáculo entre o homem e a felicidade. 
Jane não podia ceder, não podia confiar em Nick. Que seria deles se não fossem socorridos imediatamente?


Capítulo Um

A viagem fora maravilhosa. A mais emocionante de todas, para falar a verdade, se bem que a aventura tivesse seus riscos. Agora a festa terminara. Estava na hora de voltar para casa. Casa... Jane repetiu mentalmente a palavra e seus olhos azuis se turvaram momentaneamente, assaltados por uma nostalgia súbita e inesperada. 
Pela primeira vez ela não se arrependia de voltar para casa... desta vez para sempre. Encolheu-se para evitar o contato da blusa úmida na pele quente e pegajosa e sorriu consigo mesma. Estava ficando velha, pelo jeito. Era só o que faltava! Sentir saudade do clima frio e úmido de Londres no inverno, da neblina desagradável que dificultava a respiração, do vento gelado que soprava do Tamisa. 
— É o paraíso, não é mesmo? — perguntou Sam ao seu lado. 
— Humm... Jane despertou contrariada do devaneio que durava alguns minutos e voltou a prestar atenção na realidade que tinha diante dos olhos. Deu um sorriso.
Talvez a ilha fosse realmente um paraíso... a vista deslumbrante do mar muito azul quebrando indolentemente na praia de areias brancas, o bosque de coqueiros e palmeiras com suas folhagens verde-escuras. Tinha visto tantas paisagens semelhantes nas últimas semanas que não se impressionava mais como nos primeiros dias. 
Da mesma forma que o sol quente, luminoso, ofuscante, tornara-se algo banal. Bastava abrir a janela para ele invadir seu quarto, sem pedir licença! Sim, talvez a ilha fosse um paraíso antes de ter sido descoberta pelo marinheiro holandês que anotou sua posição correta no mapa e batizou-a com o nome evocativo de Paraíso. Jane, contudo, não desejava permanecer mais um dia ali. Estava exausta de viajar. 
— Vou lhe oferecer algo especial — disse Sam, o dono do bar, levantando-se da cadeira. — É um brinde da casa. Guardei essa caixa com muito carinho para as ocasiões especiais. Você vai ver se estou exagerando. 
— Não me diga que é um desses runs que queimam a goela da gente! Jane deu um sorriso para Sam e voltou a contemplar a paisagem que avistava pela janela aberta.
Ela estava contente consigo mesma porque realizara um dos melhores trabalhos fotográficos de sua vida nessa última viagem pelo Oriente. Sentia-se bem com todo mundo, em paz consigo mesma e podia apreciar indolentemente o prazer de estar hospedada numa casa à beira-mar, constantemente ventilada pela brisa marinha que trazia o odor acre da maresia, em qualquer hora do dia ou da noite. 
Esse aroma era uma lembrança permanente de que estava de férias. Sam voltou pouco depois com dois copos e uma garrafa e colocou tudo em cima da mesa. Após servir a bebida dourada, bateu o copo contra o dela num gesto carinhoso e lhe desejou tudo de bom na viagem de volta.
— Para você também, Sam, e muito obrigada por tudo. — Jane levou o copo aos lábios e bebeu um gole comprido. Fazia muito tempo que não bebia um amarelo tão gostoso. Arregalou os olhos de repente. 
— Escute, o que você misturou nessa bebida, Sam? 
 

A Feiticeiras do Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
O carro avançava devagar pelo estreito caminho das montanhas.

Após semanas viajando inutilmente de um lado para outro atrás do casal fugitivo, Jase e Kelly sentiam-se exaustos. 
De repente ela começou a rir, surpreendendo-o: "Não é engraçado, Jase? 
O seu pai, um executivo sério e respeitado, raptando a minha mãe?" 
Ele lhe lançou um olhar irritado: "Aposto que foi a louca da sua mãe quem fez meu pai perder a cabeça. Depois de conhecer você, não tenho dúvidas quanto às mulheres de sua família..."


Capítulo Um

Kelly Lyndon, sentada em seu escritório em Oakhurst, naquela terça-feira de manhã, pensava que desde o dia anterior tudo parecia estar dando errado no Canil Vacationland, do qual era diretora. E, pelo jeito, haveria mais problemas. 
Um BMW prateado acabara de estacionar com uma freada brusca no pátio em frente. Ela olhou resignada o homem descer e bater a porta do carro com violência. Afinal, não podia esperar outra coisa, pois estava estragando as férias dele, ou pelo menos as interrompia. 
Entretanto, não tinha a menor culpa! A esposa deste cliente havia dito a Mike que o cachorro registrado no canil era um animal manso. De fato, não tinha mentido, só que se esquecera de mencionar as outras "qualidades" do diabinho: não existia uma só cerca que não tivesse saltado ou um portão que não houvesse aberto misteriosamente. 
E, uma vez livre, corria pelo canil todo, visitando os outros cães, com irritante amabilidade, deixando-os loucos de ciúme e provocando um infernal coro de latidos. Kelly deu um suspiro quando a porta se abriu com um ruído seco e o homem alto entrou no escritório. Havia algo de sinistro nele, pensou. Uma expressão autoritária, de quem detesta perder tempo. Ela levantou-se e caminhou lentamente até o balcão, esperando que o estranho não percebesse o quanto se sentia intimidada. 
— Kelly Lyndon? 
— Sim. 
— Onde ele está? — A voz era baixa e profunda, trêmula pela raiva que tentava controlar. 
— Lá embaixo. 
— Lá embaixo, onde? 
Kelly indicou a porta de trás, dizendo: — Trancado numa das celas isoladas. O homem arregalou os olhos de espanto. 
— Pode me dizer por que diabos você o trancou numa solitária? 
— Porque não havia outra maneira de controlá-lo — replicou ela, tentando parecer razoável. — Escapava sempre que tinha a menor chance. 
— E aí resolveu trancafiá-lo? — Ele olhava para Kelly sem acreditar no que ouvia. 
— Mas é claro! O que mais poderia eu fazer? — Kelly observou o visitante, intrigada. O dono do cão estava postado contra a luz e ela tentou adivinhar-lhe a cor dos olhos, porém desistiu ao ser questionada uma vez mais. 
— Não pensou simplesmente em deixá-lo ir embora? Agora era a vez dela encará-lo, sem poder crer no que ouvia. Com certeza aquele doido nunca dirigira um canil: o que sugeria era prova disto. 
— Se eu o deixasse ir, só porque parecia não estar muito contente aqui... 
 

Fogo Sob as Cinzas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Quando Joanna teria, afinal, um instante de paz, 

livre daquela paixão incestuosa por Shannon, seu meio-irmão? Reencontrar Shannon, no calor da África, foi para Joanna como mexer numa fogueira: sob as cinzas, vivia ainda uma brasa, inflamada como seu coração apaixonado, ardente como o desejo nos olhos de Shannon. 
Dez anos haviam se passado,dez longos anos em que não se viram uma só vez, tentando exorcizar o demônio maldito que queria unir duas almas separadas pelo destino. 
Sim, porque Joanna e Shannon eram meio-irmãos! Mas nem o respeito pela família, nem a sensação de culpa por viver uma paixão incestuosa. 
Nada impedia que aquele sentimento atordoante tomasse conta deles como um pecado, um doce pecado...


Capítulo Um

A plataforma de concreto, batida pelo sol da manhã, parecia pegar fogo. Sufocada dentro da roupa de brim, Joanna se perguntava por que, diabo, chamavam aquilo de conjunto safári. Não havia nada mais impróprio para um calor de quarenta e tantos graus. 
Pela primeira vez desde que a viagem tinha começado, percebia a loucura da história toda: afinal, o que estava fazendo ali, num país estranho, atrás de um homem que não via desde os catorze anos? 
Se o pai soubesse como eram realmente as coisas em Lushasa, nunca teria permitido que ela se metesse naquela aventura. Ou teria? Difícil julgar. Quando estava em casa, na Inglaterra, a ideia de uma viagem à África pareceu tão excitante que nada a teria feito desistir. Era algo que nunca imaginou que pudesse lhe acontecer e, principalmente, era sua última chance de viver por conta própria, antes de se casar com Philip. 
Nem lhe passou pela cabeça que a tarefa de encontrar Shannon fosse se transformar numa busca cansativa e frustrante. Tinha o último endereço dele, e tudo o que precisava fazer era voar até Joanesburgo, procurá-lo e aproveitar o passeio. Só que outra pessoa estava morando no apartamento dele e, no escritório onde trabalhara, a notícia foi ainda mais desencorajadora: fazia já cinco anos que tinha se transferido para a Companhia de Mineração de Lushasa. 
De volta ao hotel, telegrafou para casa, contando a novidade, esperançosa de que Philip, que nunca aprovara aquela viagem, acabasse convencendo seu pai de que nada mais podia ser feito. Para ela, chegar a Joanesburgo era o máximo de aventura que podia imaginar... ou desejar. 
Mas devia saber que o velho Maxwell Crane não era homem de desistir tão facilmente. A resposta a seu telegrama foi uma ordem seca: devia viajar para Menawi, capital de Lushasa, e continuar a busca. Para sua surpresa, Menawi era uma cidade moderna, com um hotel confortável, cercado de jardins tropicais e com ar condicionado nos quartos. Sua alegria, no entanto, durou pouco. 
O tempo exato de ligar para a companhia de mineração e ficar sabendo que Shannon Crane realmente trabalhava lá, mas estava a serviço em Kwyana, a uns duzentos quilómetros de distância. O pior, segundo outros hóspedes tiveram a gentileza de informar, era que a única maneira de chegar até lá com um mínimo de segurança seria no trem dos mineiros. O que, Joanna descobriu assim que se acomodou num dos duros bancos de madeira, significava viajar horas sufocada pelo calor, pelo cheiro de suor daqueles homens que a olhavam como se quisessem devorá-la e pela fumaça negra da locomotiva. 
Agora, parada naquela plataforma, Joanna sentia que aqueles duzentos quilômetros África adentro equivaliam a uma volta de cem anos no tempo. Além dos trilhos, que se perdiam na direção das montanhas, e do velho prédio da estação, nada ali lembrava o século XX. 
 

O Pecado Mora Ao Lado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Em Portugal, naquele castelo maravilhoso, 

que escondia um verdadeiro tesouro em joias roubadas, Stephanie estava vivendo as maiores emoções de sua vida. 
Lá ela conheceu Carlos, conde de Maroc, o homem dos seus sonhos. Quantas vezes ela se sentiu tentada a atirar-se em seus braços, a entregar-se a seus beijos, a confessar o seu amor... 
Mas tudo os separava: o país de origem, a cultura, a nobreza, a noiva de Carlos... e o segredo das joias. 
Porque, por mais que o amasse, por mais que o desejasse, Stephanie não podia esconder de si mesma que aquele belo homem tinha um segredo perigoso: era um ladrão de joias!


Capítulo Um

Com um suspiro de alívio, Stephanie North cobriu a máquina de escrever, alisou o cabelo castanho e atravessou o escritório até chegar a uma porta de vidro, onde estava escrito: NORTH HARBOARD DECORADORES. Um homem de meia-idade estava sentado à escrivaninha e ergueu os olhos quando ela entrou. 
— Não precisa esperar por mim, querida, preciso acabar de redigir estes contratos antes de ir. 
— Deixe-me ajudá-lo, papai; parece cansado. 
— Estou preocupado. Dois dos meus melhores homens estão doentes e ainda recebo uma carta como esta. — Pegou uma folha de papel fino escrita com uma caligrafia elegante. — Já ouviu falar na Coleção Maroc? 
— E quem não ouviu? — Stephanie riu, pois a Coleção Maroc, que incluía joias valiosíssimas e relíquias históricas, era famosa no mundo inteiro. Com expressão curiosa, pegou a carta e fez uma careta ao ver que fora enviada do Castelo do Bosque, em Portugal, assinada pela própria Condessa de Maroc, solicitando um orçamento para a redecoração de sua famosa moradia. Inclinou-se para pegar um cigarro. 
— Nunca pegamos um trabalho importante como este, papai. 
— Eu sei. O que não consigo entender é por que a Condessa se dirigiu a mim, quando há muitas outras firmas mais conhecidas. 
— Talvez esteja querendo fazer economia! Sabe como são essas velhas ricas. Você acha complicado demais trabalhar longe da Inglaterra, não é? 
— Só trabalharíamos no início do projeto, depois poderíamos contratar uma firma portuguesa para fazer o serviço. Mas, de qualquer modo, com Robson e Hawkins de licença, vou ter que escrever recusando o serviço. 
— Mas não pode fazer isso! E eu? 
— Não recomece com essa história. Já disse uma porção de vezes que não vou mais mandá-la fazer trabalho algum. 
— Então não entendo por que precisei fazer o curso de decoração de interiores. — Sentou numa poltrona, com o rosto pálido de raiva. — Estou farta de escrever à máquina! Se não me deixar trabalhar, vou pôr um anúncio no jornal, oferecendo meus serviços.
 

Louca Esperança

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Liz tinha razões para acreditar que seu amado Jeremy estava no avião desaparecido durante um furacão nas Antilhas. 

Desesperada, ela se agarrou à primeira chance que apareceu para atravessar o mundo e ir até lá, procurar por ele: precisavam de uma enfermeira-chefe num pequeno hospital de uma ilha antilhana. 
A candidata devia ter muita experiência e, no mínimo, trinta e cinco anos. 
Liz não vacilou em falsificar documentos e se vestir como uma solteirona para conseguir o emprego. Morta de medo de ser desmascarada, partiu com a esperança louca de encontrar Jeremy. 
Mas foi o dr. Alex Kenyard, fascinante e desconfiado, quem cruzou seu caminho.

Capítulo Um

Às vezes, Liz chegava a pensar se Jeremy Carr não seria produto de sua imaginação. Suas visitas eram muito breves e os períodos de ausência, cada vez maiores. Tinha esperado sua chegada por quase um ano, e agora, depois de alguns jantares, uma peça de teatro e um passeio pelo rio, encaixados entre as poucas horas de folga que Liz conseguia no hospital e Jeremy no estúdio de televisão, tudo já estava terminado. 
Ou quase. No táxi, indo em direção ao aeroporto, ela apertava a mão do namorado, desejando prendê-lo a seu lado, apesar de saber que isso não aconteceria. E pensava nas perguntas que tinham passado por sua cabeça durante esse ano e que até agora não tinha feito. 
O que ele fazia nos períodos de folga, enquanto ela estava ocupada no hospital? Por que, há tantos anos, Jeremy se esquivava de ir a Devon, visitar os pais dela? Os dois tinham nascido numa pequena cidade do interior e se conheciam desde a infância. 
Depois de tantas despedidas e separações, Liz tinha adotado uma atitude de deixar as coisas correrem ao sabor do destino, sempre recebendo a volta de Jeremy com alegria e um pouco de alívio, sem pensar em ressentimentos e desconfianças. No entanto, nas últimas férias na fazenda dos pais, percebeu que a mágoa da mãe tinha alguma razão de ser. 
Ela comentou as ausências e falta de atenção de Jeremy com amargura, o que fez Liz se resolver a ser franca com ele, lembrando-o de pequenas gentilezas, que seriam uma forma de recompensar tudo que havia recebido no passado. A decisão de falar, somada às lembranças de infância, fez Liz ficar um pouco tensa. Jeremy notou que havia algo de diferente no ar e estava especialmente carinhoso. 
— É raro ver você assim tão quieta, Liz. 
— Eu estava pensando... tudo era melhor, antes de você ficar famoso. 
— Famoso! — Ele fez uma careta. 
— Bem, antes de você ir para a televisão. É a mesma coisa. 
— É preciso mais do que alguns programas sobre pássaros em horários infantis para fazer um ornitologista ficar famoso. 
— As crianças da minha enfermeira adoram esses programas. Você não imagina como meu prestígio aumentou desde que elas descobriram que sou amiga de infância de Jeremy Carr. 
— Oh, Liz, você nunca é a mesma! Não sei quando está falando sério. Acho que isso faz parte do seu charme. — Uma onda de emoção tomou conta dele, ao perceber o olhar cheio de amor no rosto bonito, emoldurado pelos cabelos bem lisos e loiros. 
— Isto é ridículo. Já devíamos estar acostumados com despedidas. O táxi encostou na calçada e ele se inclinou para abrir a porta, parecendo um pouco aborrecido. 
— Liz, você sabe muito bem que eu nem pensaria em partir se a equipe já não estivesse me esperando nas Antilhas. Você complica minha vida, menina! Enquanto Jeremy pagava a corrida, ela ficou parada na calçada molhada pela chuva fininha, quase em lágrimas. Ele não falava assim com ela desde a adolescência. 
— Tive uma sensação estranha — disse Jeremy, quando veio para perto dela. — Parece que não a conheço realmente.