sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Lumber and Lace

Entre a Atração e o Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Ricos e Rústicos
De secretária a esposa? 

O chefe de Jennifer Dunning faz uma oferta boa demais para ser recusada… Jen já conhecia a reputação de Marshall Grainger com as mulheres antes de aceitar o emprego. 
Mas nada podia prepará-la para a atração mútua, nem para a proposta de Marshall. Tudo o que ele espera de um casamento é gerar um herdeiro. 
Apesar da química de pele, como Jen pode dizer sim a uma união sem amor, especialmente quando ela está apaixonada?!



Capítulo Um

Jennifer Dunning sempre fora mimada e sabia disso. Não apenas pelos seus pais, mas por todos. Mesmo assim, nunca dera ataques ou ficara de mau humor quando não conseguia o que queria. Aceitava um “não” como resposta final e seguia em frente. 
Agora, contudo, ela estava sentada em sua cama, dentro de seu quarto, onde passara escondida a maior parte das últimas duas semanas, buscando desesperadamente sua nova vida em seu laptop. Era hora de sair da casa de seus pais, que ficava dentro de uma exclusiva comunidade nos arredores de Dallas. 
Aos 28 anos, Jennifer era deslumbrantemente linda. Alta e magra, com curvas bem delineadas, ela fora abençoada com um comprido cabelo loiro-escuro, olhos castanho-escuros e feições clássicas. Jennifer também era inquieta, frustrada e tensa. 
Demitira-se de seu cargo de assistente pessoal do diretor executivo de uma grande empresa, com um alto salário, duas semanas atrás. Estava simplesmente farta de ouvir os discursos diários de incentivo de seu chefe, filho do proprietário da empresa e quem Jennifer considerava inadequado para o cargo. Também se cansara dos olhares que ele lhe lançava. Na realidade, Jennifer não precisava trabalhar. Seus pais eram ricos, e ela era filha única. Também tinha um grande fundo fiduciário de sua falecida avó paterna, e um menor, de sua avó materna, ainda viva. Mas gostava de trabalhar. 
Era inteligente, tinha um diploma de bacharelado em Ciências e um MBA, e gostava de se manter ocupada, fazendo algo útil. Como assistente pessoal, ela vinha subindo na carreira. Além do mais, trabalhar era muito mais interessante do que a cena social de Dallas. Quando criança, ela se divertira com as aulas de dança nas quais sua mãe insistira e adorara cavalgar. Fora muito depois disso, quando ela já estava no fim da adolescência, que Jennifer se cansara da cena social. 
Almoço com as meninas toda quarta-feira, ouvir fofocas às quais ela não dava importância, tudo começara a parecer tão fútil, e Jennifer tinha grandes planos. Vinha se preparando para ir para o leste, para a University of Pennsylvania e a Wharton School of Business. Todas as suas amigas tinham planos de frequentar a mesma universidade, ali mesmo, no Texas. Em suma, elas se separariam. 
Mas Jennifer decidira que aguentaria os almoços e as conversas bobas até o fim do verão. Depois disso, cuidaria de si mesma. Em contraste, os pais de Jennifer tinham passado a sua vida inteira imersos numa espiral social, infelizmente. Não que eles não se importassem; Jennifer sabia que eles a amavam. O problema era que eles não eram tão presentes. Quando criança, ela passara a maior parte de seu tempo com Ida, a governanta, que lhe ensinara a limpar, ou com Tony, o cozinheiro, que praticamente a tornara uma chef profissional. Jennifer adorava pôr as próprias mãos na massa e trabalhar duro.
Depois de se formar na faculdade, ela retornara a Dallas e morara em seu próprio apartamento, que tinha uma entrada particular para a casa dos pais dela. Ela podia convidar qualquer pessoa, mas nenhum homem jamais dormira lá.  

Série Ricos e Rústicos
1 - Paixão ao Pôr do Sol
2 - Volta Ao Passado
3 - Entre a Atração e o Amor

Príncipe Caubói

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Corações Nobres
O mundo o conhecia apenas como o magnata do Texas, 

amante das melhores coisas da vida… incluindo Shannon Crawford. 
Mas quando a verdadeira identidade de Tony Medina é revelada pelos tabloides, ele não pode mais esconder sua ascendência real.






Capítulo Um

Galveston Bay, Texas — Rei bate a rainha. 
Antonio Medina declarou a sua vitória e recolheu as fichas após blefar com uma simples carta alta na rodada de pôquer. Ignorando a ligação no seu celular, empilhou as suas fichas. Não costumava ter tempo para pôquer desde que a sua empresa de pesca tornara-se global, mas juntar-se ao jogo particular no Bay Grille de Galveston do seu amigo Vernon vinha se tornando uma ocorrência um tanto comum recentemente. Desde Shannon. 
Seu olhar voltou-se para as janelinhas ladeando a porta que levava ao salão principal do restaurante, onde ela trabalhava. Nem sinal do corpo esbelto de Shannon percorrendo as mesas do estabelecimento de cinco estrelas. Apesar da vitória, viu-se desapontado. Um toque do celular cortou o ar, seguido de outro. 
Nenhuma das duas vezes foi o seu, embora o som ainda tivesse atraído a sua atenção de volta para a mesa de jogo. Os parceiros de pôquer de Vernon eram todos cerca de 40 anos mais velhos que Antonio. Contudo, o capitão de barco pesqueiro de camarão transformado em dono de restaurante salvara a pele de Antonio quando ele ainda era adolescente, de modo que, quando Vernon chamava, Antonio se esforçava ao máximo para dar as caras. 
O fato de Shannon também trabalhar ali proporcionava um interesse adicional em atender ao pedido. Vernon recostou-se na sua poltrona de couro, também ignorando o próprio celular, atualmente tocando em seu cinto. 
— Uma jogada corajosa, apostando tudo no rei, Tony — falou a voz perpetuamente rouca de tanto gritar no convés, o rosto sempre bronzeado. 
— Achei que Glenn tivesse uma sequência com a rainha e o valete à mostra. 
— Aprendi a blefar com o melhor. — Antonio, ou Tony Castillo, como ele era atualmente conhecido, sorriu. Sempre sorria quando queria que não soubessem o que estava pensando. Contudo, nem mesmo o seu melhor sorriso obtivera o perdão de Shannon quando brigaram, na semana passada. 
— Seu amigo, Glenn, precisa blefar melhor. 
Glenn, um viciado em café, bebia ainda mais quando estava blefando. Ninguém mais pareceu notar quando o advogado tomou o seu terceiro café misturado com uísque irlandês. Vernon pegou o baralho. 
— Se continuar ganhando, não vão deixá-lo participar mais. 
Tony riu, mas sabia que não ia a lugar algum. Aquele era o mundo dele agora. Construíra a própria vida, e não queria ter nada a ver com o nome Medina. Era Tony Castillo. Seu pai honrava isso. Até recentemente.  


Série Corações Nobres
Príncipe Caubói
 

Noiva Por Um Mês

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Corações Nobres
Ele a pegou no flagra… E Duarte Medina usará isso a seu favor. 

Nenhum repórter se infiltrará na família real, muito menos pela janela do quarto dele. 
Se Kate Harper quer uma história, terá que concordar com os termos de Duarte… e se tornar sua noiva!








Capítulo Um

Fotografar alguém da realeza era difícil. Mas fotografar um dos evasivos Medina era quase impossível. Com os dentes batendo, a jornalista fotográfica Kate Harper arrastou-se ao longo da saliência no 30° andar que levava aos aposentos do príncipe Duarte Medina. 
O exterior do seu hotel em Martha’s Vineyard não oferecia muito em que ela pudesse se agarrar ao avançar tateando no escuro, mas Kate jamais fora de admitir a derrota. Independentemente do que tivesse de fazer, conseguiria a valiosa foto. O futuro da irmã estava em jogo. O vento vindo das docas estava forte, chicoteando seu Dolce & Gabbana verde falsificado ao redor das pernas. 
Os dedos do pé se curvaram ao redor da saliência de madeira, haja vista que deixara os sapatos de salto alto na varanda ao lado, antes de sair. Graças a Deus não estava nevando. Arrumar um jeito de entrar no evento na elegante propriedade Medina não fora fácil. Mas ela descolara um convite para um jantar de ensaio que um magnata da Fortune 500 organizara para o casamento do filho ao prometer para uma diletante tola que publicaria um artigo sobre ela em troca do seu convite. 
Contudo, após entrar, estava por conta própria para se esquivar da segurança, localizar o príncipe Duarte e tirar a foto. Pelo que pudera ver, aquela era a sua única esperança de entrar na suíte dele. Uma pena que havia deixado o casaco e as luvas na entrada. As minicâmeras embutidas nos brincos estavam quase lhe arrancando os lóbulos. Ela transformara duas antigas câmeras espiãs no que pareciam ser joias de ouro e esmeraldas. Kate esticou a perna, mais uma pouco até que... Bingo! 
Com o coração batendo tão forte que parecia prestes a rasgar um buraco no seu vestido de cetim, ela tratou de agarrar o parapeito e girar a perna por sobre ele. Dedos cerraram-se ao redor do seu pulso. Dedos fortes. Dedos masculinos. Ela gritou quando outra mão agarrou-lhe o tornozelo, e, segurando firmemente o braço e a panturrilha, puxou-a. O movimento brusco fez com que cambaleasse para dentro da varanda. A saia do vestido enroscou-se ao redor das coxas. Ela tratou de recuperar o equilíbrio, os braços se debatendo enquanto o vestido deslizava de volta para o devido lugar. Então se chocou com força contra uma parede. 
Não, espere. Paredes não tinham pelos crespos e músculos definidos, nem um cheiro de suor almiscarado. Sob circunstâncias normais, ela teria ficado mais do que um pouco excitada. Caso não estivesse tão focada no futuro da irmã, e os lábios não estivessem ficando azuis, por causa do frio.


Série Corações Nobres
Noiva Por Um Mês
 

O Herdeiro Dele, A Honra Dela

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Corações Nobres
Não havia possibilidade de ele ser o pai do bebê dela! 

Carlos Medina sabia que não podia ter filhos. Mas Lilah Anderson insiste que a noite que passaram juntos resultou em sua gravidez.
E quando ela se recusa a voltar atrás, a honra do príncipe exige que ele reconheça seu herdeiro.







Capítulo Um

— Cubram as joias de família, senhores — gritou Lilah Anderson à porta do vestiário masculino do Hospital St. Mary. 
— Mulher entrando. 
Com os saltos altos batendo no piso de ladrilho, Lilah passou por um enfermeiro que tirava a roupa de trabalho e um anestesiologista enrolado numa toalha pequena demais, mal se dando conta de um flanco masculino aqui, um peito masculino ali. Risadas e tosses baixas ecoavam em torno dela na área coberta de vapor, mas não se deteve. Completamente focada em encontrá-lo. 
Ninguém ousou fazê-la parar enquanto andava em meio a bancos e armários. Como administradora-chefe da principal instalação cirúrgica de Tacoma, poderia demitir qualquer pessoa mais depressa do que alguém poderia dizer “Quem derrubou o sabonete?”. Seu único problema? Um funcionário particularmente teimoso que parecia determinado a evitar todas as tentativas dela de falar com ele nas últimas duas semanas. 
Portanto, Lilah escolhera o único lugar onde podia ter certeza de conseguir a atenção completa do Dr. Carlos Medina... um chuveiro público. A tática de fuga terminava ali e agora. Lilah continuou a passar pela nuvem de vapor que saía de trás das cortinas de plástico. A secretária do Dr. Carlos, Wanda, avisara-lhe que o médico não podia ser incomodado enquanto tomava banho depois de uma longa cirurgia. Estaria exausto e muito mal-humorado.
Mas nada a deteria, e Lilah vira naquela ocasião a oportunidade perfeita que estivera procurando. Crescera com dois irmãos e ficaria de fora de tudo se não invadisse de vez em quando os santuários masculinos. Olhou a fila de chuveiros. Três dos cinco estavam em uso. O primeiro mostrava a sombra de uma figura pequena e redonda. Não era Carlos. No segundo, uma cabeça calva passou pela cortina, os olhos verdes chocados. Também não era o seu cirurgião. Acenou para o chefe da pediatria. 
— Boa tarde, Jim. 
A cabeça dele desapareceu, e Lilah andou até o terceiro cubículo, os saltos batendo tão depressa como seu coração. Parou e verificou primeiro. Através das dobras de plástico, estudou a silhueta magra em pé sob a água, lavando a cabeça. Sem nem mesmo abrir a cortina, soube de quem era aquele corpo. Conhecia-o intimamente. Encontrara-o. Carlos Medina médico, amante e, como se já não tivesse demais, o filho mais velho de um monarca europeu deposto. Seu pedigree principesco, porém, não a impressionava. 
Muito antes de saber que era da realeza, fora atraída por seu brilhantismo, sua compaixão pelos pacientes... E seu traseiro sensacional sob as roupas de trabalho. Ou nu. Definitivamente não precisava pensar naquilo agora. 

Série Corações Nobres
O Herdeiro Dele, A Honra Dela
 

O Coração Que Ela Não Conhecia

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

O mundo inteiro acredita na história de amor entre Alyse e o príncipe Leo Diomedi. 

Mas ela sabe que tudo é uma farsa vergonhosamente calculada. Contudo, por debaixo de uma camada de gelo tão espessa, os beijos de Leo são quentes e revelam o verdadeiro homem livre do peso da coroa. 
Mas esse conto de fadas será capaz de sobreviver a manchetes escandalosas?


Capítulo Um

Era o dia do seu casamento. Alyse Barras observou seu rosto pálido e tenso no espelho e decidiu que nem todas as noivas eram radiantes. Na verdade, parecia que estava a caminho da forca. Não, corrigiu, não da forca; um fim brutal e rápido não era para ela, mas sim uma longa sentença perpétua: um casamento sem amor com um homem que mal conhecia, apesar do noivado de seis anos. 
No entanto, uma pequena fagulha de esperança criava raízes em seu coração, tentava crescer e florescer no mais pobre dos solos. Talvez ele aprenda a me amar... O príncipe Leo Diomedi, de Maldinia, provavelmente não aprenderia nada; mesmo assim, tinha esperança. 
— Srta. Barras? Está pronta? Alyse se virou para uma das assistentes da coordenadora do casamento, em pé à porta da suíte em que a haviam hospedado no imenso palácio real em Aveme, capital de Maldinia, aninhada aos pés dos Alpes. 
— Tão pronta quanto jamais estarei. — Tentou sorrir, mas tudo nela parecia frágil, quebradiço, e a curva dos lábios parecia lhe dividir o rosto ao meio. A assistente Marina entrou e a examinou daquela maneira avaliadora e possessiva com a qual Alyse se acostumara desde que chegara à Maldinia três dias antes... ou, melhor, nos seis anos desde que concordara com o noivado. Era um objeto que havia sido comprado e moldado. 
De grande valor, naturalmente, mas ainda assim um objeto. Aprendera a viver com aquilo, embora naquele dia... o dia de seu casamento, o dia com que as meninas sonhavam... sentisse mais a falsidade de seu papel, a sensação de que sua vida era apenas um teatro. Marina mexeu no véu de Alyse de um lado e do outro até fazer um aceno de satisfação. A rede leve e delicada com a barra de renda de três séculos descia por seus ombros. 
— E agora o vestido. — Marina mexeu o dedo para indicar que Alyse devia girar. Alyse se moveu lentamente num círculo enquanto Marina examinava os metros e metros de cetim branco que ondulavam e o corpete de renda que lhe abraçava os seios e os quadris e que exigiram oito provas secretas nos últimos seis meses. O vestido tinha sido uma fonte de grande especulação da mídia, o assunto de centenas de artigos dos tabloides, das revistas de fofocas e até de respeitáveis jornais, de entrevistas na televisão e no rádio, em blogs e sites. O tipo de vestido que uma Cinderela da vida real — total falta de originalidade, mas o rótulo permanecera — usaria para se casar com seu príncipe, seu amor verdadeiro? Bem, sim. 
E Alyse não tivera o direito de dar opinião nenhuma. Era um lindo vestido, concordava, e não podia reclamar. Teria escolhido uma coisa exatamente assim... se tivesse podido fazer a própria vontade. O walkie-talkie de Marina estalou e ela respondeu num italiano rápido, tão rápido que Alyse não entendeu, conquanto estivesse aprendendo italiano desde que ficara noiva de Leo. Era a língua nativa do país e a futura rainha de Maldinia deveria ser capaz de falá-la. Infelizmente, ninguém falava com ela com a lentidão necessária para ela compreender. 
— Estão prontos. — Marina mexeu no vestido exatamente como havia feito com o véu e pegou o ruge na penteadeira. 
— Você está pálida demais — explicou, e passou o pincel no rosto de Alyse, por mais que a maquiadora tivesse passado uma hora lhe preparando o rosto. 
 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ternura

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Um tio irresistível, uma criança travessa, uma mulher desesperada... 

Pamela Hayes achou que valeria o sacrifício casar com Joe Brenner. Muito mais difícil seria lidar com a irrequieta sobrinha dele, apelidada de Lagartixa, que usava penas de gaivota nos cabelos e que a chamara de “feia”! 
Na verdade, Pamela precisava com urgência de uma nova identidade, para escapar de um matador de aluguel. Com certeza, ele não a encontraria naquela ilhota ao sul da Flórida, usando outro sobrenome. 
E uma vez que o casamento seria de mentira e temporário - até que Joe ganhasse a custódia da sobrinha -, talvez não fosse tão ruim assim. Aliás, observando bem o “marido”, poderia ser bastante interessante...


Capítulo Um

Nenhuma das mulheres que frequentavam o Shipwreck parecia o ideal de esposa para Joe Brenner. A multidão de sempre apinhava o bar: surfistas, estivadores, artistas desconhecidos, alguns marinheiros, pescadores profissionais, além dos amadores, sempre prontos a contar suas histórias sobre os peixes enormes que fisgavam. 
A clientela feminina se enquadrava em categorias semelhantes... integrantes da marinha, gatinhas de praia, vendedoras de artesanato. Joe conhecia pelo menos metade daquele mulherio. Quanto à outra metade, provavelmente não queria se dar ao trabalho de conhecer. 
— Ela estará aqui esta noite — prometeu Kitty, aproximando-se do balcão do bar, onde depositou a bandeja. 
— Preciso de duas batidas de pêssego e um uísque com soda. 
Joe desviou sua atenção da freguesia barulhenta e olhou vagamente ao redor do recinto pouco iluminado, onde predominava a decoração de estilos náutico e rústico. Seus olhos passaram rapidamente pelos pôsteres de ilhas tropicais nas paredes em direção aos vários ventiladores de teto, que agitavam o ar quente e abafado sem fazer muito para resfriá-lo. 
A sua frente, o balcão estendia-se para a esquerda e para a direita, como um forte de madeira que o protegia, chegando-lhe quase a altura do peito. Kitty, a líder de suas garçonetes, aguardava para levar mais um pedido. Apesar do calor opressivo, sua pele bronzeada não apresentava sinais de transpiração, seus cabelos tingidos de loiro estando apenas um tanto úmidos junto à fronte.
— Duas batidas de pêssego e um uísque com soda — repetiu ele, munindo-se das garrafas e dos copos necessários para servir os drinques. 
— A que horas você lhe disse que viesse? 
— Não mencionei horário. Ela vai chegar quando achar que deve, certo? 
— Este é assunto é importante, você sabe. 
— Se é assim tão importante... — começou Kitty, colocando as mãos na cintura esguia — ...por que não se casa comigo? 
Sorrindo, Joe foi colocando os copos com as bebidas na bandeja. 
— E isso me tomaria o que? Seu quarto marido? 
— Quinto, mas quem está contando? 
— Sabe que a adoro, não é, Kitty? O problema é que você é exatamente o que não preciso no momento. 
— Sim, nem me fale... — Ela retomou o sorriso e afastou-se, equilibrando a bandeja numa das mãos, enquanto se aproximava de uma das mesas repletas de fregueses. Joe observou-lhe o movimento dos quadris com distanciada admiração. Kitty tinha curvas exuberantes e vestia-se de maneira a ressaltá-las... naquela noite usava uma camiseta justa e um shorts vermelho.